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PARIS (Reuters) - O ex-ministro do Interior da França Charles Pasqua, condenado no mês passado por seu envolvimento num escândalo de tráfico de armas na década de 1990, acusou na quinta-feira o ex-presidente Jacques Chirac de ter permitido a venda ilegal de material bélico para Angola.
Pasqua foi sentenciado a uma pena de três anos, sendo um ano na prisão, e o restante com direito a sursis, além de receber uma multa de 100 mil euros (150 mil dólares) por ter recebido dinheiro para arranjar a venda ilegal de armas, desafiando um embargo da ONU a Angola durante a guerra civil daquele país africano.
Dizendo-se vítima de um "linchamento da mídia", Pasqua, de 82 anos, ex-membro da resistência francesa ao nazismo e tradicionalmente ligado a Chirac, agora lança ataques a seus ex-companheiros de centro-direita.
"Declaro que as mais altas autoridades do país foram informadas (do contrabando)," disse ele numa entrevista coletiva, citando Chirac, o ex-premiê Dominique de Villepin e vários ex-funcionários do governo. "Este é um assunto de Estado", acrescentou.
Chirac e a velha-guarda da centro-direita francesa já se envolveram em vários escândalos desde que Nicolas Sarkozy tomou posse como presidente, em 2007.
O próprio Chirac é réu em outro caso de enriquecimento ilícito, e Villepin aguarda julgamento pelo chamado caso Clearstream, em que é acusado de tentar difamar Sarkozy para impedir que este disputasse a Presidência - ambos eram ministros e rivais.
O caso "Angolagate" envolve a venda de 790 milhões de dólares em armas para esse país africano, entre 1993 e 1998, quando o governo do partido MPLA combatia a guerrilha direitista Unita. A guerra acabou em 2002, com a morte do líder rebelde Jonas Savimbi.
Pasqua, que também enfrenta outras acusações de corrupção, criticou a sentença do caso Angolagate, qualificando-o de "um julgamento (...) escandaloso". Ele aguardará o recurso em liberdade.
(Reportagem de James Mackenzie)

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Reuters