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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington. 16/05/2017 REUTERS/Joshua Roberts

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Por Ned Parker e Jonathan Landay e Warren Strobel

WASHINGTON (Reuters) - Michael Flynn e outros assessores de campanha de Donald Trump mantiveram contato com autoridades da Rússia e outras com laços com o Kremlin através de ao menos 18 ligações e emails durante os últimos sete meses da corrida presidencial de 2016, disseram à Reuters funcionários antigos e atuais dos Estados Unidos a par dos contatos.

As interações até então desconhecidas formam parte do registro sendo analisado no momento pelo FBI e por investigadores do Congresso que apuram a interferência russa na eleição presidencial e os contatos entre a campanha de Trump e a Rússia.

Seis dos contatos anteriormente não revelados descritos à Reuters foram telefonemas entre Sergei Kislyak, embaixador russo para os EUA, e conselheiros de Trump, inclusive Flynn, o primeiro conselheiro de Segurança Nacional do presidente norte-americano, relataram três autoridades antigas e atuais dos Estados Unidos.

As conversas entre Flynn e Kislyak aumentaram após a eleição de 8 de novembro, e os dois debateram a criação de um canal de comunicação informal entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, que contornasse a burocracia de segurança nacional dos EUA, que os dois lados consideravam hostil a uma melhoria nas relações, disseram quatro funcionários em atividade.

Em janeiro, a Casa Branca negou inicialmente qualquer contato com autoridades russas durante a campanha do ano passado. Desde então a Casa Branca e conselheiros da campanha confirmaram quatro encontros entre Kislyak e conselheiros de Trump no mesmo período.

As pessoas que relataram os contatos à Reuters disseram não ter provas de irregularidades ou de conspiração entre a campanha e a Rússia nas comunicações analisadas até agora. Entretanto, a revelação pode aumentar a pressão para que Trump e seus assessores forneçam à Polícia Federal dos EUA e ao Congresso um relato detalhado das interações com autoridades da Rússia e outras ligadas ao Kremlin durante e imediatamente depois da votação de 2016.

A Casa Branca não respondeu a pedidos de comentário. O advogado de Flynn não quis comentar. Em Moscou, uma autoridade do Ministério das Relações Exteriores se recusou a falar sobre os contatos e encaminhou a Reuters ao governo Trump.

Separadamente, um porta-voz da embaixada russa em Washington disse: "Nós não comentamos nossos contatos diários com os interlocutores locais".

Os 18 telefonemas e mensagens eletrônicas aconteceram entre abril e novembro de 2016, quando hackers realizaram o que, em janeiro, a inteligência norte-americana concluiu ser parte de uma campanha do Kremlin para desacreditar a votação e influenciar seu resultado em favor de Trump em detrimento de Hillary Clinton, sua adversária democrata e ex-secretária de Estado.

As conversas tiveram como foco reparar as relações econômicas EUA-Rússia tensionadas pelas sanções impostas a Moscou, cooperar no combate ao Estado Islâmico na Síria e conter uma China mais assertiva, disseram as fontes.

Membros dos comitês de inteligência do Senado e da Câmara dos Deputados dos EUA procuraram a CIA e a Agência de Segurança Nacional para analisar transcrições e outros documentos relacionados aos contatos entre assessores e associados da campanha de Trump e autoridades russas e outras pessoas ligadas a Putin, afirmaram pessoas familiarizadas com estas investigações à Reuters.

Na quarta-feira o Departamento de Justiça dos EUA disse ter indicado o ex-diretor do FBI Robert Mueller como conselheiro especial para investigar a suposta interferência da Rússia na campanha presidencial norte-americana e uma possível conspiração entre a campanha de Trump e a Rússia. Mueller irá assumir o inquérito do FBI iniciado em julho. Trump e seus assessores vêm negando repetidamente qualquer conluio com Moscou.

Veteranos de campanhas eleitorais anteriores disseram que alguns contatos com autoridades estrangeiras durante uma campanha não são incomuns, mas que o número de interações entre assessores de Trump e funcionários da Rússia e outros com laços com Putin é excepcional.

"É raro ter tantos telefonemas a autoridades estrangeiras, especialmente para um país que consideramos um adversário ou uma potência hostil", opinou Richard Armitage, ex-vice-secretário de Estado republicano, à Reuters.

(Reportagem adicional de John Walcott em Washington, Natalia Zinets e Alessandra Prentice em Kiev e Christian Lowe em Moscou)

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