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Executivo da UE não sinaliza sanções novas contra a Rússia por caso Navalny

Líder da oposião russa Alexei Navalny participa de manifestação em fevereiro deste ano 29/02/2020 REUTERS/Shamil Zhumatov reuters_tickers
Este conteúdo foi publicado em 03. setembro 2020 - 16:06

Por Gabriela Baczynska

BRUXELAS (Reuters) - O Executivo da União Europeia sinalizou nesta quinta-feira que o bloco não imporá novas sanções rapidamente em reação ao que a Alemanha disse ter sido o envenenamento do líder de oposição russo Alexei Navalny com um agente nervoso tóxico, enfatizando que Moscou tem que garantir um inquérito minucioso.

Líderes da UE não douraram a pílula ao expressar seu repúdio pelo suposto envenenamento de Navalny, e são crescentes os clamores para se punir a Rússia pelo uso do produto tóxico de estilo soviético, a mesma substância que o Reino Unido disse ter sido usada contra um agente duplo russo em um ataque na Inglaterra em 2018.

O porta-voz da Comissão Europeia, Peter Stano, disse nesta quinta-feira que não existe nenhuma investigação sobre o caso Navalny por ora, que a Rússia precisa realizar um inquérito independente para levar os perpetradores à Justiça e que o bloco reagirá com base nas medidas de Moscou.

"Não é normal, não é aceitável que alguém seja sujeitado a uma tentativa de assassinato com um agente químico de grau militar e que não deveria estar amplamente disponível e circulando em nossa sociedade, ou na sociedade russa", disse.

Stano acrescentou que o bloco de 27 nações já iniciou conversas sobre como reagir e que o histórico russo de investigações de assassinatos anteriores de críticos proeminentes do Kremlin, como Anna Politkovskaya, Sergei Magnitsky ou Boris Nemtsov, é ruim.

"Queremos ver uma investigação crível, minuciosa, que traga respostas claras a todas as perguntas que este caso trouxe ao público russo e ao público europeu."

"É difícil falar sobre punição se você não tem os responsáveis a esta altura."

A UE, que exige unanimidade de todos os seus 27 países-membros para impor sanções, já ativou tais medidas restritivas contra Moscou por causa dos tumultos na Ucrânia.

O bloco puniu os setores russos de energia, finanças e armas depois que Moscou anexou a Crimeia da Ucrânia em 2014 e passou a apoiar rebeldes que combatem tropas de Kiev no leste do país.

A UE também proíbe negócios com a Crimeia anexada. Uma terceira leva de sanções criou uma lista de indivíduos e empresas que o bloco vê como fundamentais para disseminar o caos na Ucrânia, um ex-satélite de Moscou.

Acrescentar nomes à lista seria a opção mais rápida para a UE, que já tem um regime de sanções separado para o uso e a proliferação de armas químicas, independentemente de nacionalidade ou localização.

(Reportagem adicional de John Chalmers e Marine Strauss)

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