Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Foguetes são lançados da Faixa de Gaza em direção a Israel (direita) enquanto um foguete do sistema antimíssil Domo de Ferro dispara para interceptá-lo (esquerda), nesta terça-feira. 19/08/2014 REUTERS/Amir Cohen

(reuters_tickers)

Por Nidal al-Mughrabi e Jeffrey Heller

GAZA/JERUSALÉM (Reuters) - Um cessar-fogo na Faixa de Gaza terminou nesta terça-feira, quando militantes palestinos dispararam dezenas de foguetes contra Israel, que lançou ataques aéreos que autoridades de saúde disseram terem matado três pessoas, incluindo uma mulher e uma jovem, na Faixa de Gaza.

Acusando islâmicos em Gaza de romper a trégua, Israel prontamente retirou seus negociadores das conversas no Cairo, deixando em aberto o destino dos esforços mediados pelos egípcios para garantir uma paz duradoura.

Foguetes foram lançados de Gaza quase oito horas antes de o cessar-fogo prorrogado na segunda-feira expirar. Mais tarde, dezenas de projéteis foram disparados contra uma série de cidades e um deles atingiu um campo aberto na região de Tel Aviv, causando algum dano, mas nenhuma morte.

Testemunhas em Gaza relataram que aeronaves de Israel realizaram 35 ataques, incluindo um contra uma casa na Cidade de Gaza, onde autoridades hospitalares disseram que uma mulher e uma menina de dois anos foram mortas. Uma terceira pessoa não identificada também morreu na ofensiva.

A mídia israelense afirmou que seu país almejou atingir uma autoridade do alto escalão do Hamas na moradia, possivelmente o chefe da operação de lançamento de foguetes. O Exército não quis comentar o bombardeio da casa, declarando somente ter alvejado 30 localidades em Gaza nesta terça-feira.

O Hamas, que domina Gaza, afirmou ter disparado pelo menos 40 foguetes contra Israel após o incidente mortal, mirando Jerusalém e Tel Aviv, especialmente o Aeroporto Internacional Ben-Gurion. Uma autoridade de segurança israelense disse que as atividades do aeroporto não foram interrompidas.

Um porta-voz da polícia disse que um carro foi danificado em Tel Aviv e um foguete foi interceptado na área de Jerusalém, onde testemunhas ouviram várias explosões logo depois que sirenes soaram. O Exército disse que um foguete caiu em uma área aberta.

O braço armado do Hamas emitiu um comunicado após a saraivada de foguetes acusando Israel de "violar a calma e cometer um massacre... o inimigo abriu os portões do inferno". Prometeu que Israel irá “pagar um preço alto” por seus ataques aéreos.

O grupo havia negado envolvimento nos disparos de foguetes quando três deles atingiram a região de Beersheba, no sul de Israel, o que o país denunciou como rompimento da trégua prevista para durar até as 18h (horário de Brasília) desta terça-feira.

FIM DAS NEGOCIAÇÕES

Por ordem do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, os representantes de Israel presentes no Cairo para conversas indiretas sobre o fim do conflito em Gaza e o destino do território voltaram imediatamente para casa.

Israel vem afirmando reiteradamente que não irá negociar sob fogo, e os mediadores egípcios têm penado para pôr fim à guerra de cinco semanas e selar um acordo que abriria caminho para a chegada de ajuda para a reconstrução do território de 1,8 milhão de habitantes, onde milhares de lares foram destruídos.

Dando a entender que Israel espera mais episódios de violência, os militares instruíram os civis do país a erguer abrigos até 80 quilômetros distantes de Gaza, ou para além da área de Tel Aviv.

Uma autoridade palestina de alto escalão em Gaza afirmou que os pontos da discórdia para um acordo no Cairo são a exigência do Hamas para construir um porto e um aeroporto, que Israel só quer discutir em outra etapa.

Já Israel pediu o desarmamento dos militantes no enclave. O Hamas diz que entregar as armas está fora de cogitação e culpou os israelenses pelo impasse nas conversas.

Pontuada por várias tréguas temporárias, a escala dos combates em Gaza diminuiu bastante desde que Israel retirou suas tropas terrestres do território palestino duas semanas atrás, e nenhum dos lados pareceu disposto a arrastar a guerra.

Mas na segunda-feira Netanyahu declarou que os militares de seu país estão preparados para realizar “ações muito agressivas” se os disparos contra Israel recomeçarem.

De acordo com o Ministério da Saúde palestino, 2.019 pessoas, a maioria civis, foram mortas na Faixa de Gaza desde que a guerra começou, em 8 de julho. Do lado israelense, 64 soldados e três civis morreram durante a ofensiva.

(Reportagem adicional de Allyn Fisher-Ilan e Maayan Lubell em Jerusalém e Stephen Kalin no Cairo)

Reuters