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Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e presidente da França, Emmanuel Macron, em cerimônia em Berlim. 11/05/2017 REUTERS/Fabrizio Bensch

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Por Robin Emmott

BRUXELAS (Reuters) - A França e a Alemanha estão resistindo a um plano de autoridades dos Estados Unidos para que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) desempenhe um papel maior na luta contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque, o que se alinharia com pedidos do presidente dos EUA, Donald Trump, para que a aliança atue mais no combate ao terrorismo.

Muitos membros da aliança acreditam que o plano será anunciado em Bruxelas na próxima quinta-feira, quando Trump irá participar de sua primeira cúpula da Otan, mas a França e a Alemanha têm receios, disseram aliados envolvidos nos debates.

Entre as preocupações estão: que a Otan se veja presa em mais uma mobilização militar custosa semelhante à do Afeganistão, que irrite alguns países árabes ou arrisque um confronto com a Rússia na Síria.

"Eles não estão engolindo essa", disse um diplomata europeu veterano na Otan, segundo o qual algumas outras nações, incluindo a Grécia e a Itália, também estão receosas com a proposta.

"Eles querem saber que diferença faria. Todos os 28 aliados da Otan já são parte deste esforço", disse o diplomata, se referindo à coalizão de 68 nações liderada pelos EUA que combate o Estado Islâmico e que inclui todos os membros da Otan.

Autoridades francesas e alemãs não quiseram comentar, mas a chanceler alemã, Angela Merkel, deixou em aberto a possibilidade da Otan como instituição se juntar à coalizão quando se reuniu com o secretário-geral da aliança, Jens Stoltenberg, na semana passada. Ambos descartaram qualquer função de combate para a Otan na Síria e no Iraque.

O novo presidente francês, Emmanuel Macron, terá um almoço com Trump – que no mês passado voltou atrás em sua afirmação anterior de que a Otan está 'obsoleta' por não estar 'lidando com o terror' – antes da reunião de Bruxelas na próxima quinta-feira.

Embora o Estado Islâmico esteja prestes a ser derrotado em seu reduto iraquiano de Mosul e se preparando para um ataque contra sua capital síria de fato em Raqqa, autoridades dos EUA temem que a fuga dos militantes crie um vácuo que poderia levar combatentes tribais árabes a se voltar uns contra os outros para ganhar controle.

Autoridades norte-americanas dizem que a Otan como instituição poderia contribuir com equipamentos, treinamento e o conhecimento que acumulou liderando uma coalizão contra a Al Qaeda e o Taliban no Afeganistão. Os chefes militares da Otan são a favor da medida, segundo o general Petr Pavel, presidente do conselho do comitê militar da aliança.

Diplomatas disseram que isso poderia significar que a Otan usaria seus aviões de vigilância sobre a Síria, realizaria operações de comando e controle e forneceria reabastecimento aéreo.

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