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Polícia francesa caminha em direação a imigrante em Calais. 01/06/2017 REUTERS/Pascal Rossignol

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Por Pierre Savary

CALAIS, França (Reuters) - O ministro do Interior da França descartou nesta sexta-feira um novo centro de recepção de imigrantes em Calais e disse que irá convocar mais policiais do batalhão de choque para conter um novo influxo de pessoas que vagueiam pela cidade portuária em busca de comida e abrigo.

O anúncio, feito depois de o organismo de direitos humanos do país ter mencionado as "condições de vida desumanas" enfrentadas pelos imigrantes, indica que o presidente francês recém-eleito, Emmanuel Macron, quer mostrar que é rígido com a segurança e que não irá recuar da expulsão de milhares de imigrantes realizada em novembro passado.

"Não podemos montar outro centro de recepção em Calais porque ele reproduziria o que aconteceu antes: você vai de algumas centenas a alguns milhares de imigrantes", disse o ministro do Interior, Gérard Collomb, a repórteres durante uma visita a Calais.

"É uma questão que precisa ser encarada, mas não só em Calais."

Para a maioria dos imigrantes, Calais é a última parada antes de uma tentativa de cruzar o Canal da Mancha rumo ao Reino Unido. A cidade se tornou um símbolo dos problemas que a Europa enfrenta para lidar com o influxo de pessoas fugindo da guerra e da pobreza em países como Afeganistão, Irã, Síria e Eritreia.

Collomb disse que irá enviar dois esquadrões adicionais do batalhão de choque à região e que Macron lhe pediu para formular, dentro de duas semanas, um plano sobre a melhor maneira de lidar com a situação.

O porta-voz do governo, Christophe Castaner, disse que o plano terá como foco acelerar o tempo gasto para processar os pedidos de asilo e filtrar as pessoas que serão enviadas de volta a seu país de origem caso não se qualifiquem como refugiadas de guerra.

O ministro rejeitou os clamores de organizações humanitárias locais por um novo centro para lidar com uma nova onda de recém-chegados em uma cidade na qual um campo improvisado apelidado de "A Selva" foi demolido em novembro.

A extensão vasta e miserável de abrigos improvisados abrigou cerca de 7 mil imigrantes, muitos dos quais foram levados a alojamentos temporários em vilarejos e cidades menores de toda a França à espera de uma avaliação de seus pedidos de asilo.

"Não queremos criar um ponto de encontro no qual os números iriam voltar a 7 mil com o tempo. Isso não seria tolerável para os imigrantes, para os moradores de Calais e para a vida econômica", afirmou Collomb.

Agências de assistência dizem que entre 400 e 600 imigrantes voltaram a se concentrar e dormir ao relento nas ruas.

A agência de direitos humanos da França disse em um comunicado neste mês que os imigrantes de Calais estão vivendo em "condições de vida desumanas" e que seus funcionários encontraram indícios de violações de direitos humanos "inéditas" depois de entrevistarem imigrantes.

(Reportagem adicional de Brian Love, em Paris)

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