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DAKAR (Reuters) - O governo congolês disse no sábado que havia devolvido o corpo de um líder tribal cuja morte no ano passado desencadeou um conflito na província de Kasai Central, que matou mais de 400 pessoas.

O retorno do corpo de Kamuina Nsapu - líder de uma milícia tribal com o mesmo nome - tem sido uma das suas principais demandas durante um conflito brutal que começou em julho passado e piorou quando as forças congolesas mataram Nsapu no mês seguinte.

Em comunicado, o porta-voz do Ministério de Interior, Louis d'Or Balekalayi, também disse que o governo reconheceria seu sucessor, Jacques Kabeya Ntumba, como chefe costumeiro. O fracasso em fazer isso com o antecessor de Ntumba foi uma das causas do levante.

A luta em Kasai tornou-se a ameaça mais séria para o presidente Joseph Kabila, cuja decisão de permanecer no poder, apesar de seu mandato ter acabado em dezembro, alimentou rebelião em diferentes partes da República Democrática do Congo.

"Seu corpo foi deixado com a família que o enterrou em sua vila no mesmo dia", informou o comunicado. "A família declarou solenemente o fim da guerra, especificando que qualquer pessoa que continue a praticar atos criminosos ou terroristas não os representa".

Não foi possível chegar imediatamente à família ou a qualquer um dos líderes da milícia para uma reação. No entanto, não ficou claro se este gesto do governo acalmaria as tensões.

Inicialmente contida em uma área, a rebelião já se espalhou para cinco das 26 províncias do Congo. Os combatentes que operam sob o nome de "Kamuina Nsapu" parecem fazê-lo de forma independente e sem uma estrutura de liderança clara.

Muitos dos mortos foram despejados em valas comuns, uma violação dos costumes locais.

Analistas temem que a crescente violência no Congo possa provocar uma repetição dos conflitos entre 1996-2003, principalmente no leste, em que milhões morreram, principalmente por causa da fome e de doença.

(Por Aaron Ross)

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