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BAYONNE, França/Madri (Reuters) - O grupo militante basco ETA encerrou efetivamente uma campanha separatista armada após quase meio século neste sábado, levando autoridades francesas aos locais onde guardava armas, explosivos e munição.

O ETA, que já matou mais de 850 pessoas em suas tentativas de construir um Estado independente no norte da Espanha e sudoeste da França, declarou cessar-fogo em 2011, mas não o desarmamento.

Fundado em 1959 pelo ódio entre os bascos contra a repressão política e cultural sob o regime do general Francisco Franco, o ETA (Euskadi Ta Askatasuna - País Basco e Liberdade) ganhou notoriedade como um dos grupos separatistas mais intratáveis da Europa.

O governo espanhol afirmou que a entrega de armas do ETA na cidade francesa de Bayonne foi positiva, mas insuficiente, e chamou o grupo para dissolver formalmente e se desculpar perante suas vítimas.

O desarmamento do ETA encerra uma era de violência política na Europa Ocidental, mas ocorre enquanto o nacionalismo se move por todo o continente, com a Escócia e a região espanhola da Catalunha buscando referendos de independência, enquanto Sinn Fein, movimento político irlandês, pediu uma votação pela retirada da Irlanda do Norte da Grã-Bretanha.

O ETA afirmou em carta à BBC mais cedo nesta semana que havia entregado suas armas e explosivos a civis intermediários que as entregariam às autoridades.

Os mediadores - conhecidos como "Artesãos da Paz" - passaram às autoridades uma lista com as coordenadas para oito locais onde o ETA armazenou seu arsenal, disse Michel Tubiana, representante dos mediadores, a jornalistas em Bayonne.

O esconderijo contém 120 armas de fogo, cerca de 3 toneladas de explosivos e diversas milhares de munições, disse ele.

Forças de segurança estavam agora em busca dos locais para neutralizar os explosivos e obter as armas, disse o Ministro do Interior francês, Matthias Fekl, em coletiva de imprensa em Paris. A polícia foi fotografada carregando sacolas dos locais ao redor de Bayonne.

Fonte do governo espanhol afirmou que Madri não acredita que o grupo entregaria todas as suas armas, enquanto o promotor público da Espanha pediu ao Tribunal Superior que examine as que foram entregues como possíveis armas de assassinato usadas em centenas de casos não resolvidos.

O desarmamento do ETA não implica em impunidade pelos seus crimes e eles não devem esperar nenhum tratamento favorável, disse o governo em comunicado.

"As ações realizadas hoje pelo grupo terrorista não são nada mais que o resultado de sua derrota definitiva", disse o Ministro do Interior, Juan Ignacio Zoido, a jornalistas em Madri.

Arnaldo Otegi, líder do partido pró-independência basca EH Bildu, que cumpriu pena preso por suas ligações com o ETA, afirmou em Bayonne que este era um dia que seria bem-vindo pela grande maioria dos bascos, ainda que o trabalho não tivesse terminado.

"A partir de hoje colocaremos na mesa todos os problemas que ainda temos como sociedade e nação", disse ele, acrescentando que as maiores questões eram os cerca de 300 membros do ETA ainda em prisões espanholas e francesas e as vítimas do grupo.

VIOLÊNCIA PASSADA

A primeira vítima conhecida do ETA foi um chefe da política secreta em San Sebastian em 1968 e a última um policial francês morto em 2010.

O grupo escolheu pelo não desarmamento quando pediu trégua, mas tem sido enfraquecido na última década após centenas de seus membros terem sido presos e suas armas confiscadas em operações conjuntas entre Espanha e França.

A repulsa popular à escala dos ataques violentos realizados por militantes islâmicos também desempenhou um papel, disse Paddy Woodworth, que escreveu em profundidade sobre o ETA.

"Ele parou de ser uma organização atraente para se juntar."

O primeiro gesto revolucionário do grupo foi levantar a bandeira basca proibida 'ikurrina', vermelha e verde, antes da campanha escalar nos anos de 1960 em violência brutalmente recíproca pelo regime de Franco.

Em 1973, o ETA atacou o herdeiro de Franco, Luis Carrero Blanco, cavando um túnel sob a estrada na qual ele dirigia diariamente para ir à missa. Eles encheram o túnel com explosivos e explodiram o carro de Blanco sobre um prédio de cinco andares.

O assassinato mudou o curso da história espanhola, uma vez que a remoção do sucessor de Franco levou o rei exilado a reclamar o trono e mudar o governo para uma monarquia constitucional.

Ataques incluindo a explosão de um carro-bomba em 1987 em um supermercado de Barcelona, ​​que matou 21 pessoas incluindo uma grávida e duas crianças, horrorizaram os espanhóis e geraram indignação internacional.

Gorka Landaburu, que perdeu seu polegar e ficou cego de um olho após uma carta-bomba do ETA detonar em sua casa em 2001, deu boas vindas ao desarmamento e afirmou que lições foram aprendidas.

"Isso nunca mais deve acontecer em nosso país", disse ele, parado junto ao mar no resort basco de San Sebastian. "Espero que ninguém nunca pegue em pistolas e bombas para defender uma ideologia nunca mais."

(Reportagem adicional de Vincent West em Bayonne, Bate Felix em Paris e Robert Hetz em Madri)

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Reuters