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Um comboio de soldados da ONU patrulha uma rua de Abdijan, enquanto um letreiro eletrônico alerta para o surto de Ebola, na Costa do Marfim, nesta quinta-feira. 14/08/2014 REUTERS/Luc Gnago

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Por Saliou Samb

CONACRI (Reuters) - A Guiné declarou uma emergência de saúde pública por causa da epidemia de Ebola, que já matou mais de mil pessoas em três países do oeste da África, e está enviando funcionários da saúde para todas as localidades fronteiriças afetadas, declarou uma autoridade do governo.

Estimadas 377 pessoas morreram na Guiné desde o início do maior surto de Ebola da história, em março, em áreas remotas de uma região de fronteira perto de Serra Leoa e Libéria.

A Guiné afirma que o surto está sob controle e que o número de casos está diminuindo, mas as medidas são necessárias para evitar novas infecções de nações vizinhas atingidas pela epidemia.

“Caminhões cheios de suprimentos médicos e levando funcionários da saúde estão a caminho de todas as localidades na fronteira com Serra Leoa e Libéria”, disse o presidente da comissão de Ebola da Guiné, Aboubacar Sidiki Diakité, na noite de quarta-feira.

Até três mil pessoas estão esperando em 17 pontos na divisa pela permissão para entrar no país, afirmou.

“Qualquer doente será isolado imediatamente. As pessoas serão acompanhadas. Não podemos correr o risco de deixar qualquer um entrar sem verificações”, disse.

Serra Leoa declarou o Ebola uma emergência nacional, assim como a Libéria, que espera que dois de seus médicos diagnosticados com a doença possam iniciar o tratamento com o suprimento limitado da droga experimental ZMapp.

A farmacêutica canadense Tekmira Pharmaceuticals também está estudando a possibilidade de fabricar mais doses do remédio, informou o executivo-chefe Mark Murray.

A Nigéria também declarou emergência nacional, embora até o momento tenha escapado dos níveis de infecção dos três outros países africanos. Nesta quinta-feira, o país disse ter 10 casos de Ebola, e quatro nigerianos morreram da febre hemorrágica.

IMPACTOS

Um documento do governo da Libéria visto pela Reuters mostra o estresse causado pelo surto em seu sistema de saúde. Uma central telefônica de Monróvia está penando para dar conta do volume de ligações e precisa de mais pessoal, linhas e um vice-supervisor, segundo o Ministério da Saúde.

O Ebola afeta ainda a economia nas nações atingidas, já que seu impacto no comércio, nos transportes e nas fronteiras irá durar pelo menos mais um mês, afirmou o vice-presidente da agência de avaliação de risco Moody's, Matt Robinson.

O crescimento de Serra Leoa irá diminuir em relação aos 16 por cento registrados em 2013 se o setor de mineração for afetado, disse ele, acrescentando que os orçamentos regionais para a saúde podem aumentar.

Navios oriundos de Guiné, Serra Leoa e Libéria não terão permissão para entrar no porto de Abidjã, na Costa do Marfim.

(Reportagem adicional de Rod Nickel, em Winnipeg; de Anuradha Raghu, em Kuala Lumpur; de Emma Farge, em Dacar; de Se Young Lee, em Seul; de Loucoumane Coulibaly, em Abidjã; de Mark Felsenthal e Arshad Mohammed, em Washington; de Pascal Fletcher, em Johanesburgo; de Duncan Miriri, em Nairóbi; e de Clair MacDougall, em Monróvia)

Reuters