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Parlamentar de oposição Juan Requesens faz discurso durante evento contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas. 02/06/2017 REUTERS/Marco Bello

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Por Andrew Cawthorne e Victoria Ramirez

CARACAS (Reuters) - Um foi derrubado por um canhão de água. Outro foi empurrado em um fosso. A maioria foi alvo de spray de pimenta, gás lacrimogêneo, cassetetes e balas de chumbo.

Um grupo de jovens parlamentares da Venezuela tem se destacado na linha de frente dos protestos violentes contra o governo que vêm abalando o país sul-americano há três meses e já causaram 75 mortes.

    Diariamente nas ruas liderando os manifestantes, repelindo barricadas de segurança e às vezes pegando cilindros de gás lacrimogêneo para atirá-los de volta contra policiais e soldados, os membros enérgicos da Assembleia Nacional são heróis para muitos apoiadores da oposição.

    Mas para o governo socialista do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, eles são os principais "terroristas" de um complô golpista apoiado pelos Estados Unidos cujo objetivo é controlar a vasta riqueza petroleira do país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

    Cerca de uma dúzia de parlamentares, todos entre cerca de 25 e 35 anos, pertencem majoritariamente aos partidos Primeiro Justiça e Vontade Popular, que estão incentivando a desobediência civil contra um presidente que classificam de ditador.

    Eles marcham sem equipamento de proteção – ao contrário dos jovens com máscaras e escudos ao seu redor –, embora apoiadores e assessores às vezes formem círculos para blindá-los.

    Eles não recebem salários desde que os recursos para a Assembleia Nacional foram limitados, vivendo da bondade de parentes e amigos. E alguns ainda moram na casa dos pais.

    Um dos mais conhecidos, Juan Requesens, de 28 anos, já sofreu mais do que a maioria. Ele tem uma cicatriz na cabeça por causa de um pedaço de pau atirado por apoiadores do governo, feridas de chumbinho e de latas de gás lacrimogêneo em todo o corpo e hematomas por ter sido atirado por soldados da Guarda Nacional dentro de um fosso.

    "A pior coisa para mim é quando camaradas morrem, quando tombam ao meu lado", disse Requesens à Reuters, contando que esteve perto de nove fatalidades desde abril.

    Os manifestantes estão exigindo eleição presidencial e soluções para a escassez de alimentos e remédios. Os mortos não foram só oposicionistas, mas também defensores de Maduro, transeuntes e membros das Forças de Segurança.

    Milhares de pessoas também ficaram feridas e quase 1.500 continuam presas depois de serem detidas em todo o país, de acordo com grupos de direitos humanos locais.

    Requesens admite abertamente seu papel de "agitador" da oposição –mas mesmo com a imagem de durão obedeceu uma ordem de sua mãe e ficou em casa depois de sofrer o ferimento na cabeça.

"Por quatro dias, ela não me deixou sair - mas isso foi bom porque eu descansei e me recuperei mais rápido. Depois eu voltei, é claro", disse ele.

Alguns apelidaram o grupo de parlamentares de "a turma de 2007" por suas raízes em um movimento estudantil há uma década que ajudou a oposição em uma rara vitória contra o popular antecessor de Maduro, Hugo Chávez, em um referendo.

"É um grupo nascido na rua durante os protestos de 2007. Estamos nos reunindo novamente 10 anos depois, fazendo o mesmo", disse Juan Mejía, de 31 anos, educado em Harvard.

Mejía, parlamentar pelo Estado de Miranda, que inclui parte da capital Caracas, perdeu um amigo em protesto e outro em um acidente a caminho de uma manifestação.

"Para nós, esta é uma luta existencial", acrescentou, dizendo que sua geração cresceu sob o domínio socialista e está cansada de dificuldades econômicas, crime e repressão política.

Autoridades acusam os parlamentares de pagar jovens e crianças de até 12 anos para atacar forças de segurança, bloquear estradas e destruir propriedades, e ameaçam prendê-los.

As companhias aéreas estatais se recusam a vender bilhetes, e as privadas estão sob pressão para fazer o mesmo, o que significa que não podem voar dentro do país, dizem os parlamentares. Alguns também tiveram passaportes confiscados ou anulados, impossibilitando viagens ao exterior.

    (Reportagem adicional de Andreina Aponte)

Reuters