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Pais de Charlie Gard, um bebê britânico que sofre com uma doença terminal, posam na frente do hospital Great Ormond Street, em Londres 09/07/2017 REUTERS/Peter Nicholls

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Por Michael Holden

LONDRES (Reuters) - Os pais do bebê britânico Charlie Gard, que sofre de uma doença terminal, acusaram nesta terça-feira o hospital em que o menino está internado de criar obstáculos para que Charlie morra em casa, mas o hospital disse que gostaria de satisfazer o desejo do casal "se fosse prático".

O sofrimento do bebê de 11 meses, que tem uma condição genética extremamente rara que causa o enfraquecimento progressivo de seus músculos e danos cerebrais, tem sido o centro de uma prolongada disputa entre seus pais e o hospital Great Ormond Street.

O caso trágico conquistou empatia internacional, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o papa Francisco entre aqueles que se manifestaram a respeito.

Os pais de Charlie, Chris Gard e Connie Yates, abandonaram na segunda-feira sua luta judicial para prolongar a vida do filho, que eles queriam levar para os Estados Unidos para receber um tratamento experimental jamais testado em alguém com a mesma condição.

Entretanto, médicos do hospital Great Ormond Street defenderam que o tratamento não tinha nenhuma chance realista de ajudar Charlie e que apenas prolongaria seu sofrimento.

Ambas as partes voltaram à Suprema Corte de Londres nesta terça-feira, dessa vez em uma audiência para decidir como serão desligados os equipamentos que mantêm Charlie vivo.

O advogado do casal, Grant Armstrong, disse que o hospital está colocando obstáculos no caminho do desejo final dos pais de levar seu filho para casa.

"Nós lutamos com as dificuldades que o hospital está colocando no caminho dos pais de terem um... pequeno período de tempo antes do ato final da curta vida de Charlie", disse Armstrong ao tribunal.

Minutos depois, a advogada representante do Great Ormond Street disse que o casal rejeitou uma oferta de mediação e que o hospital gostaria de realizar o desejo dos pais de Charlie "se fosse prático".

"O plano de cuidado precisa ser seguro, precisa privar Charlie de toda a dor e precisa proteger sua dignidade. Ao mesmo tempo, o plano precisa honrar os desejos de seus pais sobre duas questões em particular, especificamente o tempo e o lugar de seu falecimento", escreveram os advogados do hospital em um documento apresentado no tribunal.

O documento afirma que o equipamento de ventilação que Charlie precisa só poderia ser fornecido em um hospital. Entre outros problemas práticos, disse, a ventilação não passaria pela porta da casa de Charlie.

"Charlie é uma criança que requer um tratamento altamente especializado. Seu tratamento não pode ser simplificado. Ele precisa ser fornecido em um ambiente especializado por especialistas", disse.

Reuters