Reuters internacional

Presidente eleito da França, Emmanuel Macron, durante evento de campanha em Les Pennes-Mirabeau, perto de Marselha. 17/11/2016 REUTERS/Jean-Paul Pelissier

(reuters_tickers)

Por Thierry Chiarello e Sarah White

PARIS (Reuters) - Emmanuel Macron pode ter vencido a eleição presidencial francesa de domingo com uma grande vantagem, mas até o entusiasmo de seus eleitores se contém diante do tamanho do desafio que o político inexperiente irá enfrentar para lidar com os problemas econômicos, sociais e de segurança já antigos do país.

Macron, ex-ministro da Economia que nunca havia concorrido a um cargo público, derrotou a líder de extrema-direita Marine Le Pen por 66 por cento a 34 por cento dos votos, margem bem acima dos cerca de 20 pontos percentuais que as pesquisas previam.

Helen Lhuillier, franco-canadense de 73 anos que mora na França há 40 anos e compareceu ao comício da vitória de Macron diante do museu do Louvre, disse gostar "das políticas e da personalidade (de Macron), de seu entusiasmo".

"O que ele conquistou em um ano é impressionante", disse, acrescentando: "Espero que ele consiga fazer progresso, mas precisamos ser realistas. Ele tem trabalho a fazer".

Esse trabalho começa já.

O político de centro, de 39 anos, prometeu transcender a tradicional divisão entre esquerda e direita, que vinha permitindo que interesses escusos bloqueassem reformas econômicas fundamentais.

Macron terá que fazer exatamente isso para garantir uma maioria parlamentar em junho para um movimento político de um ano de existência que jamais apresentou candidatos a eleições.

"Só podemos torcer para a França aproveitar sua chance", disse o parisiense Michael Jeuga nesta segunda-feira.

"É uma maneira nova de trabalhar, é um pouco diferente das políticas de esquerda e direita que temos normalmente... agora temos as eleições legislativas e será um pouco complicado realmente mudar algo".

Além disso, apesar da determinada atitude "faz e acontece" de Macron, o entusiasmo pelo ex-banqueiro de investimentos tem seus limites.

Uma pesquisa com quase 7 mil eleitores feita pela empresa Harris Interactive ainda no domingo revelou que 59 por cento dos eleitores de Macron o escolheu principalmente para evitar que Le Pen se tornasse presidente, refletindo o desgosto que ainda se associa a um partido há tempos considerado um pária na nação devido às suas associações xenófobas.

Macron planeja solucionar uma década de crescimento lento e desemprego crescente reformando o mercado de trabalho francês, simplificando os sistemas tributário e previdenciário, reduzindo as regulamentações e gastando mais em educação, principalmente em áreas mais prejudicadas.

Benjamin Boss, bancário de 26 anos, contrastou nesta segunda-feira a vitória de Macron com a votação que decidiu a separação do Reino Unido da União Europeia no ano passado e com a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, dizendo que a França recusou aqueles que querem "construir fronteiras e muros e rejeitar imigrantes".

"Agora temos uma pessoa que realmente quer progresso, então é absolutamente excepcional", disse.

(Reportagem adicional de Mathieu Rosemain, Matthias Blamont e Reuters TV)

Reuters

 Reuters internacional