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Por Louis Charbonneau
NOVA YORK (Reuters) - O programa nuclear do Irã, que o governo de Teerã afirma ser destinado apenas à geração de energia, é uma tentativa de forçar o mundo a reconhecer o país como potência regional, disse na quarta-feira o chefe da agência nuclear da ONU, Mohamed ElBaradei.
"Eles acham que o conhecimento nuclear traz prestígio, traz poder, e eles gostariam de ver os Estados Unidos se interessarem seriamente por eles," disse ElBaradei em um fórum sobre desarmamento nuclear do Council on Foreign Relations, entidade com sede em Nova York.
"Infelizmente, isso tem um fundo de verdade. O Irã está sendo levado a sério desde que começou a desenvolver seu programa nuclear".
Ao dizer que o programa nuclear iraniano é "um meio para alcançar um fim", ElBaradei afirmou que o Irã "quer ser reconhecido como uma potencia regional".
Ele reiterou a posição da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) -- órgão da ONU que ElBaradei dirige há 12 anos e do qual se desligará no fim do mês -- de que não há "nenhuma evidência concreta" de que o Irã esteja buscando armas atômicas, como suspeitam países ocidentais.
EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China vêm tentando há anos convencer o Irã a interromper o processo de enriquecimento de urânio em troca de incentivos políticos e econômicos. Até agora o governo iraniano tem se recusado a pôr fim ao programa.
ElBaradei tinha pouco a dizer sobre as conversações realizadas a respeito de um acordo de entrega de combustível nuclear envolvendo Irã, Rússia, EUA e França, realizadas em Viena, nas quais ele serviu como mediador.
A proposta da AIEA sobre o combustível estabelece que o Irã transfira a maior parte de seu urânio de baixo enriquecimento para Rússia e França, onde seria transformado em combustível para um reator que produz isótopos destinados ao tratamento de câncer. Mas diplomatas dizem que o Irã reluta em enviar seu urânio para fora do país.
ElBaradei disse que o acordo proposto representa "uma oportunidade única" para Irã e Estados Unidos deixarem de lado décadas de tensão e animosidade. Ele disse esperar um acordo antes de deixar o cargo.
O diretor da AIEA afirmou que o Irã teria de responder logo à oferta, que poderia ajudar o país a demonstrar que seus planos nucleares são pacíficos.
Autoridades dos EUA e da França têm dito que as negociações com o Irã não podem durar para sempre e alertam o país para o risco de enfrentar uma quarta rodada de sanções da ONU.

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Reuters