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Por James Pomfret
GUANGZHOU, China (Reuters) - O meio-irmão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez uma rara aparição pública na quarta-feira no sul da China, onde vive há sete anos, para lançar um romance. O livro, afirmou, é inspirado em sua própria infância, marcada pela convivência com um pai abusivo.
Mark Okoth Obama Ndesandjo -- que tem o mesmo pai do presidente norte-americano -- adotou uma postura discreta desde que, no final do ano passado, foi divulgado que ele estava trabalhando em Shenzhen, centro manufatureiro no sul da China, situado a uma hora de trem de Hong Kong.
A primeira aparição pública importante de Ndesandjo, para o lançamento de seu primeiro romance, acontece menos de duas semanas antes da viagem que Obama fará à China.
Embora ele diga que seu livro, "Nairobi to Shenzhen", é um relato fictício, a obra começou a ser escrita há quase dez anos como autobiografia e "reflete muitas experiências de minha vida, como criança criada no Quênia", incluindo o relacionamento problemático com o pai.
"Minha mãe costumava dizer, falando de meu pai, que ele era um homem brilhante, mas um fracasso social", disse Ndesandjo a jornalistas em Guangzhou.
"Eu me lembro de momentos em minha casa em que ouvia gritos e ouvia o sofrimento de minha mãe". A mãe de Ndsandjo, Ruth, era norte-americana e foi a terceira esposa de seu pai.
"Eu me endureci emocionalmente devido ao que vi minha mãe suportar", disse Ndesandjo, homem esbelto, de aparência semelhante à do presidente.
O livro de Ndesandjo relata como o protagonista, David, fez uma viagem improvável à China em 2001, pouco após os ataques de 11 de setembro, inspirado por seu "amor crescente por uma linda chinesa e um pequeno órfão".
Mas ele fala pouco sobre o relacionamento com seu irmão famoso, dizendo que eles mantêm contato e que uma autobiografia inédita, para a qual ainda não encontrou editora, fará um relato mais completo sobre sua história e relações familiares.
"Somos uma família. Amo minha família", disse Ndesandjo, que usa cabelo escovinha e afirmou gostar de piano, caligrafia chinesa e clássicos da literatura chinesa.
"Senti muito orgulho de meu irmão Barack", disse ele, comentando o fato de o irmão ter se tornado o primeiro presidente afro-americano dos Estados Unidos.
Em coletiva de imprensa na qual respondeu apenas a cinco perguntas escritas e sorteadas, ele evitou falar de política ou das relações sino-chinesas, mas disse que os norte-americanos têm a aprender com a cultura chinesa e os laços familiares profundamente enraizados no país asiático.
Ele deixou entrever algo sobre sua personalidade, às vezes bombástica. Pontilhou suas respostas com referências a Tolstói e ao clássico literário chinês "Sonho da Mansão Vermelha", falando também de sua paixão pela música, a "linguagem universal".
Quinze por cento do lucro obtido com o livro será revertido para obras de caridade.
"Quero ser conhecido como escritor, não por meu relacionamento com o presidente", disse Ndesandjo, que fala inglês com sotaque norte-americano.

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Reuters