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Fumaça é vista em Gaza após ataque aéreo de Israel, segundo testemunhas, nesta sexta-feira. REUTERS/Ahmed Zakot

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Por Nidal al-Mughrabi e Jeffrey Heller

GAZA/JERUSALÉM (Reuters) - Israel lançou ataques aéreos contra a Faixa de Gaza nesta sexta-feira em resposta a foguetes palestinos, depois que conversas mediadas pelo Egito não conseguiram ampliar uma trégua de 72 horas na guerra de um mês.

Mais tarde o Egito pediu uma retomada do cessar-fogo, dizendo que só falta obter concordância em alguns pontos. Facções palestinas afirmaram que irão se encontrar com mediadores egípcios ainda nesta sexta-feira, mas não há sinais de um acordo iminente.

Uma autoridade do governo israelense declarou que seu país não irá negociar com os palestinos enquanto os militantes continuarem disparando mísseis.

Os militares disseram que “terroristas de Gaza" enviaram pelo menos 57 foguetes nesta sexta-feira e que o sistema de interceptação “Domo de Ferro” foi usado contra alguns deles.

A Jihad Islâmica e os Comitês de Resistência Popular assumiram a autoria dos disparos do enclave dominado pelo Hamas.

Acusando este último de violar o cessar-fogo, Israel afirmou que vários dos foguetes foram lançados cerca de quatro horas antes do final programado para a trégua, às 2h (horário de Brasília). Lançamentos mais intensos se seguiram pouco depois do fim do cessar-fogo.

Ao retomar os ataques, os militantes de Gaza pareceram estar tentando pressionar Israel, deixando claro estarem prontos para continuar lutando até obter o fim do bloqueio do território costeiro imposto tanto por Israel quanto pelo atual governo no Egito.

Entre as primeiras vítimas desde a retomada das hostilidades está um menino palestino de 10 anos, que morreu perto de uma mesquita na Cidade de Gaza, segundo autoridades médicas. Um militante da Jihad Islâmica e três outros palestinos foram mortos em ataques aéreos no sul de Gaza.

Em Israel, a polícia disse que duas pessoas ficaram feridas por projéteis de morteiro vindos de Gaza.

A ministra da Justiça israelense, Tzipi Livni, integrante do gabinete de segurança do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, disse que os militantes “têm que ser atingidos em resposta, e não na mesma proporção, mas em grau mais elevado”.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, declarou em um comunicado estar profundamente decepcionado por não se ter chegado a uma ampliação do cessar-fogo, e repudiou a retomada dos disparos de foguetes contra Israel.

PERSISTÊNCIA DO EGITO

Mais cedo, Israel havia dito estar disposto a concordar com a prorrogação.

O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, afirmou que os israelenses rejeitaram a maioria das exigências palestinas. “Entretanto, não fechamos a porta e continuaremos a negociar”, disse.

Seus comentários foram uma reação a uma declaração do Ministério das Relações Exteriores do Egito, que culpou indiretamente os palestinos pela recusa em ampliar a trégua.

No Cairo, o Ministério das Relações Exteriores pediu aos dois lados para “voltar imediatamente ao cessar-fogo e aproveitar a oportunidade disponível para retomar as negociações sobre os pontos de discórdia bastante limitados que permanecem o mais rápido possível”.

A rejeição do Hamas a uma ampliação da trégua pode afastar ainda mais os egípcios, cujo governo é hostil ao grupo e na prática controla a principal via de acesso de Gaza ao mundo, a passagem de fronteira de Rafah.

(Reportagem adicional de Stephen Kalin e Maggie Fick no Cairo, Allyn Fisher-Ilan e Ori Lewis em Jerusalém, Ali Sawafta em Ramallah e Michelle Nichols em Nova York)

Reuters