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Menino palestino caminha perto de mesquita em Silwan, leste de Jerusalém 8/3/2017 REUTERS/Ammar Awad

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BEIRUTE/NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Uma agência das Nações Unidas publicou um relatório nesta quarta-feira que acusa Israel de impor um “regime de apartheid”, de discriminação racial contra a população palestina e disse que era a primeira vez que um organismo da ONU fazia claramente a acusação.

Um porta-voz do Ministério do Exterior de Israel comparou o relatório publicado pela Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental da ONU ao Der Sturmer, uma publicação de propaganda nazista fortemente antissemita.

O relatório concluiu que “Israel estabeleceu um regime de apartheid que domina a população palestina como um todo”. A acusação, geralmente feita a Israel pelos críticos do país, é enfaticamente rejeitada pelos israelenses.

Rima Khalaf, subsecretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e secretária-executiva da comissão para a Ásia ocidental, afirmou que o relatório era o “primeiro do tipo” por um organismo da ONU que “claramente e francamente conclui que Israel é um Estado racista que estabeleceu um sistema de apartheid que persegue a população palestina”.

A Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental reúne 18 Estados árabes do oeste asiático e tem como objetivo apoiar o desenvolvimento econômico e social dos países integrantes, segundo o seu site. O relatório foi preparado a pedido dos países membros, disse Khalaf.

Stephane Dujarric, porta-voz das Nações Unidas, afirmou à imprensa em Nova York que o relatório foi publicado sem que o secretariado da ONU fosse consultado previamente.

"O relatório como está não reflete as visões do secretário-geral (António Guterres)", disse, acrescentando que o próprio relatório nota que ele reflete as opiniões dos autores.

Os Estados Unidos, aliados de Israel, disseram que estavam revoltados com o relatório.

"O secretariado das Nações Unidas está certo em se distanciar desse relatório, mas ele deve ir além e retirar o relatório como um todo”, disse a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, em comunicado.

Emmanuel Nahshon, porta-voz do governo de Israel, afirmou via Twitter que o relatório não havia sido endossado pelo secretário-geral da ONU.

"A tentativa de difamar e falsamente rotular a única democracia verdadeira do Oriente Médio ao criar uma analogia falsa é desprezível e constitui uma grande mentira”, afirmou o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, em comunicado.

O relatório disse que havia estabelecido com “base em investigação acadêmica e evidência esmagadora que Israel é culpado do crime de apartheid”.

"Contudo, somente uma decisão por um tribunal internacional nesse sentido daria autoridade verdadeira a essa avaliação”, acrescentou.

O relatório disse que a “a fragmentação estratégica da população palestina” era o principal método pelo qual Israel impunha o apartheid, com os palestinos divididos em quatro grupos reprimidos por “leis, políticas e práticas distintas”.

O documento identificou os quatro grupos de palestinos como palestinos cidadãos de Israel, palestinos do leste de Jerusalém, palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, e palestinos vivendo como refugiados ou exilados.

A comissão esperava que o relatório viesse a influenciar as deliberações sobre as causas do problema, nas Nações Unidas, entre países membros e na sociedade, disse Khalaf num evento para lançar o relatório em Beirute.

O documento foi elaborado por Richard Falk, ex-investigador da ONU para direitos humanos em territórios palestinos, e Virginia Tilley, professora de ciência política na Universidade do Sul de Illinnois.

Antes de em 2014 deixar o cargo de relator especial da ONU sobre direitos humanos em territórios palestinos, Falk afirmara que as políticas israelenses contam com características inaceitáveis de colonialismo, apartheid e limpeza étnica.

Os Estados Unidos o acusaram de preconceito contra Israel.

(Reportagem adicional de Ari Rabinovitch em Jerusalém e Michelle Nichols nas Nações Unidas)

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Reuters