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Soldados israelenses correm durante confrontos com manifestantes palestinos, perto de Ramallah, que protestavam contra a ofensiva de Israel em Gaza. 25/7/2014. REUTERS/Mohamad Torokman

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Por Nidal al-Mughrabi e Crispian Balmer

GAZA/JERUSALÉM (Reuters) - Israel rejeitou nesta sexta-feira propostas internacionais para um cessar-fogo nos ataques contra a Faixa de Gaza, mas está discutindo mudanças no plano de trégua com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse uma fonte do governo.

Kerry afirmou que ainda há discordâncias sobre a terminologia para uma trégua em Gaza. Ele disse no Cairo que um "progresso sério" foi feito, mas havia mais trabalho a fazer e que ele está certo de que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, está empenhado em contribuir para um cessar-fogo.

Na mesma conferência de imprensa, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu uma trégua humanitária de sete dias.

Mediadores esperam que uma trégua possa entrar em vigor antes de um festival muçulmano que começa na próxima semana, mas têm enfrentado dificuldades para resolver diferenças aparentemente irreconciliáveis ​entre Hamas e Israel, que travam um combate desde 8 de julho.

O Hamas, que quer o fim de um bloqueio a Gaza imposto por Israel e Egito antes de concordar com o fim das hostilidades, ainda tem de responder à proposta de cessar-fogo, que não foi divulgada.

A fonte israelense, que não quis ser identificada, disse que o gabinete de segurança do primeiro-ministro de Israel rejeitou o plano porque não permite a Israel continuar interceptando uma rede de túneis clandestinos do Hamas sob a fronteira com Gaza.

"A proposta de Kerry se inclina (muito) para as exigências do Hamas", disse a fonte.

Com o fracasso da diplomacia, os combates se intensificaram.

Autoridades de Gaza disseram que ataques de Israel mataram 55 pessoas nesta sexta-feira, incluindo o chefe de mídia do Jihad Islâmico, aliado do Hamas, e o filho dele. Assim, o número de palestinos mortos em 18 dias já totaliza 844 pessoas, a maioria civis.

Militantes dispararam uma saraivada de foguetes de Gaza, o que acionou sirenes em grande parte do sul e do centro de Israel, incluindo no principal aeroporto do país. Não houve feridos, e o sistema Domo de Ferro interceptou muitos dos mísseis.

O tumulto em Gaza alimentou as tensões na Cisjordânia ocupada, onde o presidente palestino, Mahmoud Abbas, apoiado pelos Estados Unidos, governa em uma incômoda coordenação com Israel.

Médicos disseram que seis palestinos foram mortos em incidentes separados perto das cidades de Nablus e Hebron, incluindo um tiro que, segundo testemunhas, foi disparado aparentemente por um colono judeu.

Israel disse que mais três dos seus soldados foram mortos em Gaza nesta sexta-feira, elevando o total de militares mortos para 35, enquanto tropas combatem militantes no norte, leste e sul de Gaza, um pequeno enclave que abriga 1,8 milhão de palestinos.

O país também anunciou que um soldado desaparecido depois de uma emboscada em Gaza há seis dias foi definitivamente morto, embora seu corpo não tenha sido recuperado. O Hamas disse no domingo que tinha capturado o homem, mas não divulgou uma fotografia dele.

Três civis também foram mortos em Israel por foguetes lançados de Gaza, o tipo de ataque que começou no mês passado em meio à fúria do Hamas com uma repressão aos seus militantes na Cisjordânia, o que levou ao lançamento da ofensiva israelense em 8 de julho.

A crescente lista de baixas israelenses só reforçou a determinação do país a prosseguir com esta última campanha contra o Hamas até que o grupo seja enfraquecido significativamente.

A urgência de uma trégua foi causada pela morte, na quinta-feira, de 15 pessoas em uma escola da Organização das Nações Unidas onde civis buscam abrigo, no norte da Faixa de Gaza, em um ataque que as autoridades locais atribuíram à artilharia de Israel.

Israel disse que suas forças sofreram ataques de guerrilheiros palestinos na área da escola e revidaram fogo, e acusou o Hamas de evitar que qualquer remoção de civis fosse realizada.

(Reportagem adicional de Ori Lewis, em Jerusalém; de Noah Browning, em Gaza; de Arshad Mohammed, Yasmine Saleh e Shadia Nasralla, no Cairo)

Reuters