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Israel retira tropas de Gaza nesta terça-feira. REUTERS/Baz Ratner

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Por Nidal al-Mughrabi, Lin Noueihed e Dan Williams

GAZA/CAIRO/JERUSALÉM, 5 Ago (Reuters) - Israel retirou suas forças terrestres da Faixa de Gaza nesta terça-feira e iniciou um cessar-fogo de 72 horas com o Hamas, mediado pelo Egito, como primeiro passo rumo a negociações sobre um acordo mais duradouro da guerra de um mês.

Minutos após o início da trégua, às 8h (2h no horário de Brasília), o Hamas disparou uma salva de foguetes que chamou de vingança pelos "massacres" de Israel. O sistema antimísseis israelense abateu um foguete sobre Jerusalém, informou a polícia, e outro atingiu uma casa em uma cidade próxima de Belém, na Cisjordânia. Não houve vítimas.

Blindados e infantaria israelenses deixaram Gaza antes da trégua, e um porta-voz militar disse que o objetivo principal – destruir túneis através da fronteira usados por militantes islâmicos para se infiltrarem em Israel – foi alcançado. “Missão cumprida”, tuitaram os militares.

Soldados e tanques serão “reposicionados em posições defensivas nas cercanias da Faixa de Gaza, e manteremos essas posições”, afirmou o tenente-coronel Peter Lerner, porta-voz dos militares, explicitando a prontidão de Israel para retomar os combates se for atacado.

Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, que controla Gaza, disse que a ofensiva de Israel no enclave costeiro densamente povoado foi "100 por cento fracassada".

Israel enviou autoridades para conversas no Cairo que almejam cimentar um acordo de longo prazo durante a trégua. O Hamas e a Jihad Islâmica também mandaram representantes de Gaza.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, convocou seu gabinete de segurança para discutir as consequências do conflito, declararam autoridades.

Em Gaza, onde cerca de meio milhão de pessoas foram deslocadas durante os combates, alguns moradores, carregando colchões e levando crianças a tiracolo, abandonaram abrigos da Organização das Nações Unidas (ONU) e retornaram às suas vizinhanças, onde bairros inteiros foram arrasados por bombardeios israelenses e o cheiro de corpos em decomposição paira no ar.

O chefe do comando sul de Israel garantiu aos moradores que fugiram de cidades daquela região do país que é seguro voltar para seus lares, embora alguns não estejam convencidos de que a ameaça de ataques pelos túneis e dos foguetes oriundos de Gaza tenha sido eliminada.

TENTATIVAS DE TRÉGUA

O porta-voz militar israelense Lerner declarou que, de segunda para terça-feira, o Exército destruiu os últimos dos 32 túneis em Gaza, escavados pelo Hamas para emboscadas fronteiriças a um custo estimado em 100 milhões de dólares. Mas autoridades admitiram que alguns túneis podem não ter sido detectados e que as forças armadas estão prontas para atacá-los no futuro.

Autoridades de Gaza dizem que a guerra já matou 1.867 palestinos, a maioria civis. Israel afirma que 64 de seus soldados e três civis foram mortos desde o início dos combates, em 8 de julho, depois de lançamentos de foguetes palestinos.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos recebeu bem a trégua e exortou as partes a “respeitá-la completamente”. A porta-voz do departamento, Jen Psaki, afirmou que Washington irá continuar com seus esforços para ajudar os dois lados a obter “uma solução duradoura e sustentável no longo prazo”.

Várias tentativas de trégua anteriores realizadas por Egito e outras potências regionais, supervisionadas por Estados Unidos e a Organização das Nações Unidas, não conseguiram acalmar o pior conflito israelense-palestino em dois anos.

O empenho em transformar o cessar-fogo em uma trégua duradoura pode se mostrar difícil, já que os dois lados rejeitam as exigências mútuas e a legitimidade do outro. O Hamas rejeita a existência de Israel e promete destruí-lo, enquanto Israel denuncia o Hamas como um grupo terrorista e evita qualquer vínculo.

O ministro palestino das Relações Exteriores, Riad al-Malki, disse haver “provas claras” de crimes de guerra de Israel durante sua operação em Gaza quando se reuniu com promotores do Tribunal Penal Internacional em Haia nesta terça-feira para pressionar por uma investigação.

(Reportagem adicional de Eric Beech em Washington, Ori Lewis em Jerusalém, Yasmine Saleh no Cairo, William James e Kylie MacLellan em Londres, Jussi Rosendahl em Haia)

Reuters