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MILÃO (Reuters) - Um juiz italiano condenou 23 ex-agentes da CIA a até oito anos de prisão nesta quarta-feira pela captura de um clérigo muçulmano, em um veredicto marcante contra os "voos de rendição" usados pelo antigo governo dos Estados Unidos.
Os norte-americanos foram julgados à revelia após os EUA terem se negado a extraditá-los. Mas o veredicto, o primeiro deste tipo, foi saudado por ativistas que há muito tempo afirmam que as políticas de rendição violam direitos humanos básicos.
Este é o primeiro caso que contesta a prática de "rendição extraordinária" do ex-presidente dos EUA George W. Bush, na qual suspeitos de terrorismo eram capturados em um país e levados para outro, onde as técnicas de interrogatório eram mais severas.
O juiz Oscar Magi arquivou o processo contra três norte-americanos, incluindo um ex-chefe da CIA em Roma, pelo sequestro do clérigo egípcio Hassan Mustafa Osama Nasr, que foi raptado em uma rua de Milão em 2003 e levado à força para o Egito para interrogação.
Ele também absolveu o ex-chefe do serviço militar de inteligência da Itália, Nicolo Pollari, e seu ex-vice-chefe, afirmando que as provas contra ele violaram regras de segredo de Estado.
Magi condenou o ex-chefe da CIA em Milão, Robert Seldon Lady, a oito anos de prisão e outros 22 ex-agentes da CIA a cinco anos de prisão cada.
Ele determinou que os condenados devem pagar 1 milhão de euros de indenização a Nasr, conhecido como Abu Omar, e 500.000 euros à sua esposa.
Abu Omar foi levado secretamente da base aérea de Aviano, no nordeste da Itália, ao Egito, onde ele afirma ter sido torturado e mantido até 2007 sem nenhuma acusação.
(Reportagem de Emilio Parodi e Daniel Flynn)

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Reuters