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Juízes conservadores parecem relutantes sobre plano de Trump para tirar imigrantes de censo dos EUA

Suprema Corte dos EUA 10/11/2020 REUTERS/Erin Scott reuters_tickers
Este conteúdo foi publicado em 30. novembro 2020 - 21:41

Por Lawrence Hurley e Andrew Chung

WASHINGTON (Reuters) - Juízes conservadores da Suprema Corte dos Estados Unidos pareceram relutantes para emitir de imediato, nesta segunda-feira, um veredicto suspendendo um plano do governo do presidente Donald Trump para excluir imigrantes que moram ilegalmente no país da somatória da população usada para distribuir distritos eleitorais nos Estados.

Os conservadores do tribunal, que têm uma maioria de 6 para 3, assinalaram que tal parecer poderia ser prematuro com base na admissão do governo de que não sabe como ou se conseguirá implantar a proposta -- uma faceta das políticas imigratórias linha-dura que Trump tenta efetivar em suas últimas semanas no cargo.

Um veredicto que descarte a contestação legal atual ao plano deixaria aberta a possibilidade de ações civis subsequentes caso o governo de fato exclua certos subgrupos de imigrantes da contagem populacional entregue formalmente ao Congresso para que distritos da Câmara dos Deputados sejam distribuídos entre os 50 Estados.

"Não sabemos quantos estrangeiros serão excluídos, não sabemos qual o efeito que isso terá na distribuição. Todas estas questões seriam resolvidas se esperarmos até a distribuição ser feita. Por que não somos mais bem aconselhados para fazê-lo?", indagou o presidente da Suprema Corte, o conservador John Roberts.

Esperava-se que os juízes decidissem o caso de forma acelerada e emitissem um veredicto antes do final do ano. O democrata Joe Biden vai assumir como presidente no dia 20 de janeiro.

Os questionadores da diretiva de julho de Trump incluem vários Estados liderados por Nova York, cidades, condados e grupos de direitos de imigrantes. Eles argumentam que a medida do presidente republicano poderia deixar milhões de pessoas fora da contagem e fazer com que Califórnia, Texas e Nova Jersey perdessem assentos na Câmara.

Advogados dos demandantes fizeram um apelo à corte para que não descarte a ação civil agora, pedindo aos juízes que esperem algumas semanas até haver mais informações disponíveis sobre quais dados o Escritório do Censo pretende apresentar ao presidente.

Os distritos da Câmara se baseiam na contagem da população dos Estados no censo nacional que ocorre a cada 10 anos e que foi realizado neste ano.

Os demandantes dizem que o plano de Trump diluiria a influência política dos Estados com grandes números de imigrantes, inclusive a Califórnia majoritariamente democrata, subrepresentando sua populações verdadeiras e privando-os de cadeiras na Câmara.

((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))

REUTERS PF AC

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