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JERUSALÉM (Reuters) - Uma israelense foi detida na quarta-feira no local mais sagrado do Judaísmo por usar um xale de oração que, segundo os religiosos ortodoxos, só poderia ser envergado por homens.
O incidente no Muro das Lamentações mostra as profundas divisões entre vertentes mais liberais do Judaísmo e os poderosos ortodoxos, a maioria dos quais rejeita qualquer papel ativo nas orações para as mulheres.
A estudante de Medicina Nofrat Frankel, de 25 anos, foi detida quando rezava no local junto com 40 outras mulheres. Após um protesto de judeus ortodoxos que a viram com o xale ("tallith", em hebraico), a polícia a retirou do local e a manteve detida por duas horas, para então determinar que ela fique longe do Muro das Lamentações durante pelo menos 15 dias, segundo uma porta-voz.
Micky Rosenfeld, porta-voz da polícia, disse que a estudante supostamente violou uma decisão da Justiça israelense que, seguindo os preceitos ortodoxos, proíbe que as mulheres usem trajes religiosos no local sagrado.
"As tensões explodiram, houve empurrões e gritos e a polícia interveio para evitar a violência", disse Rosenfeld, acrescentando que não houve feridos e ninguém mais foi preso.
Frankel pode ser condenada a até seis meses de prisão e multa de 10 mil shekels (2.000 dólares) por realizar um gesto religioso ofensivo, segundo Anat Hoffman, diretora de um grupo que patrocina as "Mulheres do Muro".
A acusada também segurava uma Torá, pergaminho bíblico judaico, contrariando a tradição ortodoxa, mas a polícia não citou isso como razão para detê-la.
O grupo de Hoffman defende uma maior abertura à participação das mulheres nas orações no Muro das Lamentações, e nas últimas duas décadas teve frequentes atritos com os ortodoxos. Ela disse que esta é a primeira vez que uma das suas seguidoras é presa.
"Isso é ridículo. Se não posso vestir um traje religioso no Muro das Lamentações, onde posso?", disse ela à Reuters.
O rabino Shmuel Rabinovich, responsável pelo local, afirmou à Rádio Israel que a presença do grupo de Hoffman no Muro é uma "dessacralização".

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Reuters