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Kremlin rejeita acusações de envenenamento de Navalny e possíveis sanções

Porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov em Moscou 27/02/2020 REUTERS/Shamil Zhumatov/Pool reuters_tickers
Este conteúdo foi publicado em 03. setembro 2020 - 13:08

Por Gabrielle Tétrault-Farber e Anton Kolodyazhnyy

MOSCOU (Reuters) - O Kremlin rejeitou nesta quinta-feira as acusações de que a Rússia foi responsável pelo envenenamento do político de oposição Alexei Navalny e disse que não vê justificativas para a imposição de sanções a Moscou em decorrência do caso.

O Kremlin se pronunciava um dia depois de a chanceler alemã, Angela Merkel, dizer que Navalny foi envenenado com o agente nervoso de estilo soviético Novichok na tentativa de matá-lo.

Navalny, de 44 anos, é um oponente explícito do presidente russo, Vladimir Putin, e se especializou em investigações de grande impacto sobre a corrupção governamental. Ele foi levado de avião à Alemanha no mês passado depois de desmaiar em um voo doméstico russo depois de beber um copo de chá que seus aliados dizem ter sido envenenado.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que Moscou rejeitou qualquer insinuação de que a Rússia esteve por trás do ataque a Navalny e alertou outros países a não tirarem conclusões precipitadas.

"Não existem justificativas para acusar o Estado russo. E não estamos inclinados a aceitar quaisquer acusações a este respeito", disse Peskov aos repórteres.

Peskov disse que, assim sendo, não há motivo para se debater sanções contra Moscou.

Merkel disse que a Alemanha consultará aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre a maneira de reagir ao envenenamento.

Nesta quinta-feira, ela se deparou com uma pressão crescente para reconsiderar o oleoduto Nord Stream 2, que levará gás da Rússia para a Alemanha, depois de sua declaração sobre Navalny, que está sendo tratado em um hospital de Berlim.

O Nord Stream 2 deve dobrar a capacidade do já existente Nord Stream 1 para transportar gás diretamente da Rússia para a Alemanha. Ele está mais de 90% finalizado e deve começar a operar no início de 2021.

Peskov disse que o Kremlin vê as conversas sobre uma ação contra o oleoduto como ditadas pela emoção e que se trata de um projeto comercial que beneficiará a Rússia, a Alemanha e a Europa.

Ele ainda rejeitou a premissa de que seu país merece ser punido devido ao caso.

"Não entendemos qual poderia ser a razão para quaisquer sanções", disse Peskov.

(Por Gabrielle Tétrault-Farber, Anton Kolodyazhnyy e Maxim Rodionov)

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