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Líderes da maior universidade de artes da Hungria renunciam por medo de controle estatal

Primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, durane evento em Bled, na Eslovênia 31/08/2020 REUTERS/Borut Zivulovic reuters_tickers
Este conteúdo foi publicado em 31. agosto 2020 - 18:41

BUDAPESTE (Reuters) - A administração da prestigiosa Universidade de Artes Cênicas e Cinematográficas da Hungria renunciou nesta segunda-feira em protesto contra a imposição de uma comissão indicada pelo governo que dizem que minará a autonomia da escola.

Os apoiadores do primeiro-ministro, Viktor Orbán, e jornalistas pró-governo argumentam há tempos que, desde que este obteve um terceiro mandato em 2018, é hora de operar uma mudança cultural em favor de valores conservadores para acabar com o que chamam de domínio de liberais e figuras da esquerda nas artes húngaras.

Há uma década no poder, o nacionalista Orbán vem endurecendo continuamente o controle governamental sobre várias instâncias da vida pública, incluindo universidades, a Academia de Ciências Húngara e a mídia estatal. Oligarcas próximos do premiê compraram largas parcelas da mídia privada.

Em um discurso feito após sua vitória eleitoral contundente de 2018, Orbán disse que a tarefa principal é "inserir o sistema político em uma era cultural".

Uma lei aprovada pelo Parlamento no início do ano transferiu a propriedade da escola de teatro estatal, que tem 155 anos de história, a uma fundação privada. O governo indicou uma comissão de cinco membros, rejeitando membros propostos pela universidade. Já o senado da universidade disse ter sido privado do direito de decidir questões sobre orçamento, organização e recursos humanos.

"Era um fundamento para nós que, se não sobrar nada da autonomia da instituição, então devemos nos recolher às salas de aula para ensinar", disse a vice-reitora Eszter Novak.

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