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Manifestantes fogem de agentes de forças de segurança durante protesto contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas. 14/06/2017 REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

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Por Diego Oré e Andreína Aponte

CARACAS (Reuters) - Parlamentares e líderes opositores da Venezuela realizaram protestos contra o presidente Nicolás Maduro a bordo de trens e ônibus na quinta-feira, em uma tentativa de contornar bloqueios das forças de segurança a manifestações nas ruas.

Há mais de dois meses os adversários de Maduro vêm organizando marchas e protestos que são rotineiramente interrompidos por soldados e policiais, o que tem resultado em confrontos que já deixaram ao menos 71 mortos.

"Nossa mensagem irá viajar por todas as estações de metrô", disse o deputado de oposição Juan Mejia antes de embarcar em um trem do metrô de Caracas.

"Nossa mensagem irá alcançar todos os venezuelanos que expressaram o desejo de um país diferente, mas que têm que sair e ganhar o pão de cada dia para ajudar sua família".

Mejia disse que os funcionários do metrô da capital, controlado há anos pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), fizeram anúncios no sistema de som alertando para atrasos devido a "um grupo de simpatizantes da oposição".

Os críticos de Maduro o acusam de estar forjando uma ditadura ao convocar uma Assembleia Constituinte a ser eleita em 30 de julho, uma votação que os líderes opositores dizem estar sendo manipulada a favor dos socialistas.

Maduro, eleito após a morte de seu mentor, Hugo Chávez, em 2013, diz que os protestos são um esforço para derrubá-lo e culpa a oposição por dezenas de mortes. Ele afirma que a Assembleia Constituinte irá ajudar o país a escapar de uma crise econômica debilitante.

As autoridades confirmaram que mais dois estudantes morreram em protestos na quinta-feira. Luis Vera, de 20 anos, foi esmagado por um carro na região petrolífera de Zulia, e Jose Gregorio Perez foi atingido no Estado montanhoso de Táchira, informou a Procuradoria.

Outro grupo de deputados embarcou em ônibus municipais que atravessam Caracas e cidades próximas e explicaram aos passageiros sua opinião de que a Assembleia Constituinte "formaliza a ditadura".

Ativistas também organizaram uma visita ao Conselho Nacional Eleitoral, que a oposição acusa de favorecer o governo Maduro, às 6h locais para instalar pôsteres com mensagens como "CNE cúmplice da ditadura".

Foi a primeira vez na atual onda de protestos em que manifestantes conseguiram chegar à instituição, tendo sido barrados pelas forças de segurança em manifestações anteriores.

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