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Candidata de extrema-direita à Presidência da França, Marine Le Pen, em coletiva de imprensa, em Paris. 21/04/2017 REUTERS/Benoit Tessier

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Por Bate Felix e Sudip Kar-Gupta

PARIS (Reuters) - A candidata presidencial francesa de extrema-direita, Marine Le Pen, acusou nesta segunda-feira seu adversário no segundo turno da eleição no mês que vem, Emmanuel Macron, de ser fraco diante do terrorismo islâmico.

Os mercados globais reagiram com alívio ao resultado do primeiro turno da votação no domingo, que acabou com o predomínio dos partidos estabelecidos de centro-direita e centro-esquerda, mas deixou um político de centro pró-União Europeia e ex-ministro da Economia como favorito para se tornar o próximo presidente francês.

O euro atingiu brevemente um pico de cinco meses, enquanto as ações europeias subiram consideravelmente.

As pesquisas de opinião mais recentes indicam que Macron, candidato de 39 anos que jamais ocupou um cargo eletivo, irá conseguir ao menos 61 por cento dos votos no segundo turno.

Esses números acalmaram os investidores, preocupados com as promessas de Le Pen de descartar o euro, imprimir dinheiro e possivelmente sair da UE e temerosos de outra reação anti-establishment na esteira da desfiliação britânica do bloco, o chamado Brexit, e da eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.

Le Pen, de 48 anos, também exaltou seus compromissos de suspender o acordo de fronteiras abertas da UE nas divisas francesas e de expulsar estrangeiros presentes em listas dos serviços de inteligência como a reação certa à série de ataques islâmicos na França.

Procurando explorar a falta de experiência de Macron na área, ela disse a repórteres em seu bastião de Henin-Beaumont, no norte do país: "Estou presente para encontrar o povo francês e chamar sua atenção para assuntos importantes, inclusive o terrorismo islâmico, nos quais o senhor Macron é, para dizer o mínimo, fraco".

A França foi alvo de uma série de ataques de militantes islâmicos nos últimos dois anos, que mataram mais de 230 pessoas. Três dias antes do primeiro turno de domingo um policial foi morto a tiros e dois outros ficaram feridos no centro de Paris após um atentado reivindicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico.

Apesar disso, as pesquisas vêm mostrando de forma reiterada que os eleitores estão mais preocupados com a economia e a confiabilidade dos políticos.

PONTOS FRACOS

O programa de segurança interna de Macron pede mais 10 mil policiais e 15 mil vagas nas prisões. Ele incluiu uma série de especialistas em segurança em sua equipe e observou que Le Pen tem menos experiência de governança nacional do que ele.

Macron conquistou 23,74 por cento dos votos no primeiro turno da eleição, enquanto Le Pen recebeu outros 21,53 por cento.

Uma sondagem da empresa Harris mostrou Macron vencendo com 64 por cento das urnas, e Le Pen atrás com 36 por cento, no dia 7 de maio. Uma pesquisa Ipsos/Sopra Steria apresentou um resultado semelhante, e um novo levantamento da Opinionway divulgado nesta segunda-feira falou em uma vitória de Macron com 61 por cento dos votos diante de 39 da adversária.

Outros integrantes da equipe de Le Pen visaram nesta segunda-feira o que veem como outros pontos fracos de Macron: seu emprego anterior em um banco de investimento e seu papel como ministro da Economia responsável por desregulamentações no desacreditado governo socialista do atual presidente, François Hollande.

"Emmanuel não é um patriota. Ele liquidou empresas nacionais. Ele criticou a cultura francesa", disse Florian Philippot, vice-líder do partido de Le Pen, a Frente Nacional, à BFM TV.

Analistas dizem que a melhor chance de Le Pen superar a grande liderança de Macron nas enquetes é retratá-lo como parte de uma elite distante dos franceses comuns e de seus problemas.

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Reuters