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Marine Le Pen, líder da Frente Nacional e candidata na eleição presidencial da França, admite derrota após o segundo turno de votação, em Paris. 07/05/2017 REUTERS/Charles Platiau

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Por Ingrid Melander e Simon Carraud

PARIS (Reuters) - Marine Le Pen não demonstrou ter se abatido com a derrota contundente que sofreu para Emmanuel Macron na eleição presidencial francesa no domingo, prometendo reformar seu partido de extrema-direita e transformá-lo na principal oposição ao novo líder de centro da França.

Analistas dizem que Le Pen deve se manter no controle da Frente Nacional (FN), apesar das críticas de alguns membros da sigla à sua campanha, incluindo seus próprios familiares.

Mesmo tendo perdido para Macron por 34 por cento a 66 por cento dos votos, Le Pen obteve quase o dobro da votação que seu pai recebeu ao chegar ao segundo turno da eleição de 2002, mas não alcançou os 40 por cento que, para autoridades do partido, teriam sido um sucesso.

Agora o partido anti-União Europeia e anti-imigração irá se voltar para as eleições parlamentares de meados de junho, embora Le Pen tenha admitido que a legenda precisa de uma mudança abrangente.

Em um discurso breve a seus apoiadores, que vaiaram a vitória de Macron e cantaram a Marselhesa com tristeza quando a notícia da derrota de Le Pen emergiu, a líder de extrema-direita, de 48 anos, disse que a FN "precisa ser renovar profundamente".

"Irei propor iniciar esta profunda transformação de nosso movimento de forma a criar uma nova força política", acrescentou.

Não está claro, a esta altura, que impacto a reformulação teria nas políticas do partido.

Um dos vice-presidentes da FN, Florian Philippot, disse que o novo partido não será chamado Frente Nacional, seu nome durante mais de quatro décadas. A marca é bem conhecida na França e no exterior, mas na mente do eleitorado é bastante associada ao pai de Marine e fundador, Jean-Marie, que foi condenado várias vezes por incitar o ódio racial.

Embora Marine Le Pen não tenha abordado a questão do nome da sigla, disse que pretende buscar apoio além da FN atual e reconstruir o panorama político francês em torno da divisão "patriotas" versus "globalistas" -- mas atingir esse objetivo não será uma tarefa fácil.

Nicolas Dupont-Aignan, líder de um pequeno partido nacionalista que apoiou Le Pen depois de só ter atraído 5 por cento dos votos no primeiro turno, e que Le Pen havia prometido indicar como seu primeiro-ministro se vencesse, disse no domingo que não irá se unir a seu novo partido, mas apresentar seus próprios candidatos na votação parlamentar.

Embora a FN conte com uma base leal, só tem duas cadeiras na atual câmara baixa do Parlamento, e uma pesquisa OpinionWay-SLPV Analytic da semana passada previu que a sigla só irá obter entre 15 e 25 assentos em junho.

A mesma pesquisa indicou que o partido En Marche! de Macron irá emergir como o maior grupo, seguido pelo partido conservador Os Republicanos.

(Reportagem adicional de Cyril Camu, Matthias Blamont, Leigh Thomas)

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