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Por Alexandra Ulmer

CARACAS (Reuters) - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, buscou aliviar os protestos e a censura da comunidade internacional ao conceder prisão domiciliar para o líder opositor Leopoldo López, mas corre o risco de energizar a oposição e alienar parte da sua base socialista.

Após três meses de protestos muitas vezes violentos exigindo eleições antecipadas e a libertação de ativistas, a Suprema Corte governista permitiu que o político preso mais famoso da Venezuela retornasse para sua casa, em Caracas, após três anos.

López, 46, economista educado nos EUA e líder do partido Vontade Popular, é amado por alguns opositores que admiram sua posição rígida e o veem como um futuro presidente.

Mas ele é odiado por muitos no Partido Socialista que o consideram um golpista com a intenção de derrubá-los.

O governo promoveu a liberação, parcialmente mediada pelo ex-primeiro ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, como evidência de que o diálogo, e não o conflito, é a maneira de prosseguir.

Maduro rapidamente pediu que López controlasse os protestos que, segundo ele, estão em busca de um golpe em meio à crise econômica.

Mas a decisão pode acabar sendo um meio-termo infeliz que isolará ainda mais Maduro, um ex-motorista de ônibus e líder sindical eleito por pouco para substituir Hugo Chávez, em 2013, sem trazer benefícios tangíveis para ele.

Recebendo a decisão com fogos de artifício e lágrimas na casa de López, oposicionistas prometeram continuar nas ruas até suas exigências serem atendidas.

"Isto é como um sopro de oxigênio após muitos anos de luta", disse o estudante Angel Ybirma, 28, que ligou para a mãe quando ouviu a notícia antes de se enrolar em uma bandeira da Venezuela e subir em uma motocicleta para comemorar na casa de López.

"Isso mostra que o governo está com medo, que está sofrendo muita pressão internacional, e que vamos sair disso logo. Temos que continuar, com mais paixão", disse, acrescentando que López merece total liberdade.

López, preso por acusações de ter incitado a violência durante protestos similares em 2014, pediu que os venezuelanos mantenham as cansativas e às vezes violentas ações nas ruas que levaram a quase 100 mortes, centenas de prisões e milhares feridos.

A oposição também realizará um plebiscito não-oficial, no próximo domingo, para perguntar aos venezuelanos o que eles acham do controverso plano de Maduro de reescrever a constituição e se eles não preferem uma votação antecipada para retirá-lo do cargo.

Também aplaudidos por alguns dissidentes dentro do governo e das forças armadas, os inimigos de Maduro não devem sentar-se em breve para discussões públicas com o governo.

Um diálogo mediado por Zapatero no ano passado entrou em colapso com poucos resultados, e muitos na oposição o veem como um vendido que comprou mais tempo a Maduro.

Ainda assim, a decisão de López e a função renascida de mediadores internacionais podem se tornar uma referência potencial para futuras negociações.

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