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Marine Le Pen, candidata nas eleições presidenciais de 2017 na França, em comício eleitoral em Bordeaux, França. 02/04/2017 REUTERS/Regis Duvignau - RTX33QJJ

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PARIS (Reuters) - Os investidores não irão embora da França se o país deixar o euro, de acordo com a candidata presidencial de extrema-direita Marine Le Pen, que promete convocar um referendo sobre o euro e restaurar o franco francês se for eleita.

Em uma entrevista à rádio Sud e ao canal de televisão Public Senat, Le Pen disse que, se for a vencedora no dia 7 de maio, irá iniciar conversas com o resto da União Europeia e organizar um referendo dentro de seis meses.

"Ao final dos seis meses, será o povo francês que irá decidir", disse ela, acrescentando que isso permitiria à França ver o resultado das eleições na Alemanha e na Itália também.

"Há tanta liquidez no mundo que eles não irão retirar suas fichas da França, ainda mais que a França vai voltar a estar no rumo do crescimento econômico", disse a líder do partido Frente Nacional, que é anti-imigrantes e anti-UE.

"Eles estão preocupados porque sabem que não poderão mais ter os lucros que tinham anteriormente... o mundo mudou e é isso que os preocupa. O mundo está se afastando do livre comércio e da política do 'laisser faire'", acrescentou.

Supervisores do setor financeiro do Banco Central Europeu pediram aos bancos para manter todos os cenários em mente, inclusive como reagiriam a uma vitória de Le Pen e/ou ao impacto que poderia se seguir a qualquer resultado melhor do que o esperado para a extrema-direita no primeiro turno da eleição francesa.

As pesquisas de opinião indicam que Le Pen irá passar pelo primeiro turno de 23 de abril e disputar a decisão de 7 de maio entre os dois candidatos mais votados, quando deve perder para o favorito Emmanuel Macron, que é decididamente pró-euro.

Uma das promessas centrais de Le Pen é tirar a França do que chama de "prisão" da política da UE e da moeda que 19 dos 28 países do bloco compartilham.

Le Pen já disse que irá negociar para restaurar a soberania nacional francesa e, se descontente com o rumo das conversas, convocar um referendo no qual os eleitores irão decidir a respeito da filiação à UE e ao euro.

Na entrevista desta terça-feira, ela sinalizou que a consulta seria feita de qualquer maneira, dentro de seis ou sete meses.

"Haverá um referendo de qualquer maneira", afirmou, acrescentando que, supondo que fosse presidente, renunciaria caso sua proposta na votação popular fosse rejeitada.

(Por Brian Love)

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