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Primeira-ministra britânica, Theresa May, durante evento de campanha em Wrexham, no País de Gales. 22/05/2017 REUTERS/Toby Melville

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Por Kylie MacLellan e Kate Holton

LONDRES (Reuters) - A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, recuou publicamente nesta segunda-feira de planos para obrigar pessoas idosas a pagarem mais por serviços sociais, depois que a vantagem de seu Partido Conservador nas pesquisas de intenção de voto para a eleição nacional de junho caiu pela metade.

May deu seu maior passo em falso na campanha até o momento ao conceber planos para transferir uma fatia maior do custo dos serviços sociais a idosos dos contribuintes para os usuários que podem pagá-lo por conta própria.

A proposta despertou o temor de que alguns deles tenham suas casas vendidas após a morte para pagar pelos serviços recebidos, ao invés de herdadas por seus descendentes. Os opositores de May apelidaram a proposta de "imposto da demência", dizendo que ela atingiria especialmente aqueles que precisam de cuidados domésticos de longo prazo.

"Iremos garantir que ninguém tenha que vender a casa de sua família para pagar pelos cuidados. Iremos garantir que haja um limite absoluto sobre o que as pessoas devem pagar... de forma que vocês sempre tenham o que deixar para sua família", afirmou May nesta segunda-feira.

A premiê afirmou que seus opositores e a mídia distorceram a proposta, que classificou como parte de uma tentativa importante de mudar o sistema de serviços sociais em uma sociedade em processo de envelhecimento.

May pareceu incomodada com as perguntas dos jornalistas a respeito de seu anúncio de um teto de pagamento.

"Nada mudou, nada mudou, estamos oferecendo uma solução de longo prazo para a sustentabilidade dos serviços sociais no futuro", disse, balançando a cabeça e erguendo a voz quando a medida foi descrita pelos jornalistas como uma guinada de 180 graus. "Nada mudou".

Quando May convocou uma eleição antecipada para 8 de junho pesquisas indicaram que ela venceria com uma grande vantagem, mas esse quadro se alterou depois que os conservadores e o Partido Trabalhista, principal sigla da oposição, apresentaram suas plataformas de campanha ao eleitorado na semana passada.

Uma pesquisa do instituto Survation publicada nesta segunda-feira mostrou que a dianteira de May sobre os trabalhistas diminuiu pela metade, ficando em 9 pontos percentuais.      

A sondagem veio na esteira de outras do final de semana indicando que a diferença também diminuiu.

Reuters

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