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Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - A declaração do presidente da França, Emanuel Macron, de que "não tem pressa" para fechar o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul até o final do ano não surpreendeu o Itamaraty, que já esperava não fechar o acordo até dezembro, nem foi visto como um risco para o acordo, disse à Reuters uma fonte brasileira a par das negociações.

"A posição francesa durante a rodada na semana passada já era um pouco essa. Agora deu apenas relevo político. Mas o presidente é um de 28", afirmou a fonte.

Em uma conversa com fazendeiros e produtores rurais - setor mais resistente ao acordo - Macron afirmou: "Não sou a favor de correr para concluir antes do fim do ano as negociações de comércio para as quais o mandato foi dado em 1999".

O prazo de dezembro para fechar as negociações do acordo foi dado pelos próprios europeus. Depois das dificuldades em avançar na última rodada de negociações, na semana passada, em Brasília, os negociadores sul-americanos já viam como muito difícil essa possibilidade.

Paradas desde maio de 2016, as negociações sobre acesso a mercados - ponto central do acordo - esperavam por uma proposta da UE sobre carne e etanol. O oferecido, uma quota de 70 mil toneladas de carne a 600 mil toneladas de etanol ao ano, foi considerada decepcionante pelo Mercosul.

Além disso, os europeus até agora não aceitaram a proposta de parâmetros de negociação feita pelos sul-americanos para tentar avançar em novembro, na próxima rodada.

De acordo com a fonte, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, conversou com a comissária europeia para o Comércio, Cecilia Malmström, durante a reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio em Marrakech, na semana passada, e os sinais foram positivos, de que há interesse da UE em continuar as negociações.

A fonte reconhece que o governo francês pode arregimentar aliados para atrasar a aprovação de um acordo, porém afirma que esses não são os sinais da UE. Mas admite que as chances de uma aprovação até dezembro são realmente cada vez menores.

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Reuters