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Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O Mercosul suspendeu indefinidamente a participação da Venezuela no bloco comercial sul-americano, neste sábado, aumentado a pressão internacional para que o presidente Nicolás Maduro dissolva uma recém-criada Assembleia Constituinte e restabeleça a democracia.

Os chanceleres de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai anunciaram a decisão após uma reunião em São Paulo. Eles pediram a Maduro que liberte priosioneiros e dê início imediato a uma transição política.

"Parem com isso, chega de mortes, chega de repressão. Não é mais possível submeter o povo a esse tipo de tortura", disse o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, após o encontro, realizado na prefeitura de São Paulo.

Ao mesmo tempo que a suspensão era anunciada, a Assembléia Constituinte venezuelana decidia destituir a procuradora-geral dissidente, Luísa Ortega, do cargo. Questionado sobre a remoção de Ortega, o ministro brasileiro respondeu com um provérbio latino: 'Deuses fazem primeiro perder a razão àqueles que querem destruir'."

Não há no Mercosul previsão para a expulsão de membros. A Venezuela foi suspensa temporariamente em dezembro, por não se adequar às regras do bloco. A medida foi agravada depois da realização de uma polêmica eleição para formar uma Assembleia Constituinte, no domingo, bem como da prisão de líderes oposicionista. 

Diversos países condenaram a eleição, classificando-a com uma tentativa de prolongar o tempo Maduro no poder. O ministro argentino das Relações Exteriores, Jorge Faurie, classificou a Venezuela como uma ditadura.

"É ruim ter que colocar fora da porta um irmão, o fizemos com firmeza e o estamos a fazer porque o que estamos assistindo é uma situação que nos causa uma grande dor", disse Faurie.

Embora a Venezuela tenha uma das maiores reservas de petróleo do mundo, milhões de venezuelanos têm sofridos com o desabastecimento de gêneros alimentícios e a inflação alta. Meses de sucessivos protestos contra o governo já levaram à morte de mais de 120 pessoas.

A suspensão não afetará as políticas migratórias para evitar uma piora na crise humanitária, disse o ministro brasileiro, acrescentando que os venezuelanos que quiserem vir para o Brasil serão bem-vindos.

A entrevista coletiva com os chanceleres foi aberta pelo prefeito de São Paulo, João Doria, um dos nomes do PSDB cotados para a disputa presidencial em 2018. Doria manifestou solidariedade com os presos políticos na Venezuela e pediu o fim do que chamou de ditadura no país.

Reuters