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Por Patricia Vélez e Marco Aquino
LIMA (Reuters) - Um agente da Força Aérea do Peru (FAP) foi detido por supostamente espionar para o Chile, no momento em que os dois países mantêm um litígio internacional por um desacordo sobre seus limites marítimos, disse na sexta-feira uma fonte dessa instituição.
A fonte, um alto funcionário da FAP que pediu para não ser identificado, explicou que o caso era investigado havia meses e tinha sido notificado à Procuradoria e ao governo para a formulação das respectivas acusações.
"O serviço de inteligência da FAP detectou, investigou e comprovou tudo dentro da lei e fez a denúncia à Procuradoria. Estamos trabalhando nisso há tempos", detalhou a fonte à Reuters.
"A informação que foi passada (ao Chile) não compromete a segurança nacional", acrescentou.
Um porta-voz do Ministério da Defesa peruano disse que a instituição não vai se pronunciar no momento sobre o caso por ser um tema reservado, mas o diário El Comercio informou que se trata de um suboficial de inteligência da FAP que havia trabalhado na embaixada peruana no Chile em 2002.
O detido recebia dinheiro do exterior, entre 5.000 e 8.000 dólares mensais, disse a rádio local RPP.
O agente permanece detido nas instalações de segurança do Estado, em Lima, e a Procuradoria da República relaciona as acusações de suposta traição à pátria.
O delito de traição à pátria é punido no Peru com prisão perpétua e, em caso de uma guerra externa, o culpado é sentenciado à morte.
Enquanto isso, ao menos 30 policiais antimotim se mantinham diante da embaixada do Chile em Lima para proteger o prédio de um protesto já programado por uma entidade civil contra a compra de armas daquele país.
"Boicote ao Chile", dizia um dos cartazes exibidos pelas dezenas de manifestantes, que levavam bandeiras peruanas e gritavam frases contra o armamentismo, sob a vigilância de policiais.
Um dos maiores compradores de armas na região é o Chile. Na quinta-feira, a agência de Cooperação de Segurança e Defesa dos Estados Unidos informou ao Congresso que o governo chileno busca adquirir mísseis e radares por cerca de 650 milhões de dólares.
O último caso conhecido de espionagem para o Chile foi registrado há três décadas. Em 1979 um militar peruano foi acusado de ter sido cooptado pelo Chile enquanto trabalhava na Embaixada do Peru em Santiago. O suboficial foi fuzilado depois de ser acusado de traição à pátria.
(Reportagem de Marco Aquino e Patricia Vélez, e colaboração de Antonio de la Jará, de Cingapura)

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Reuters