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Por Michael Georgy

MOSUL (Reuters) - Quando militantes do Estado Islâmico invadiram a cidade iraquiana de Mosul em 2014, entraram no salão de bilhar de Manaf Younes e o declararam anti-islâmico, levando suas bolas de bilhar com um alerta.

Um salão que muitas vezes ficava cheio de jogadores até meia-noite ficou subitamente abandonado. Fotos de prêmios que davam orgulho a Younes acumularam pó durante dois anos, e as mesas ficaram cobertas.

Agora as forças do governo do Iraque expulsaram os militantes do leste de Mosul e se preparam para atacar o oeste. Embora Younes esteja exultante, como muitos outros comerciantes locais, sua alegria é atenuada pela incerteza enquanto ele tenta ressuscitar sua vida anterior.

O Estado Islâmico impôs uma versão radical do islã em Mosul depois de estabelecer a segunda maior cidade do país como sua capital de fato, proibindo cigarros, televisões e rádios e forçando os homens a deixar a barba crescer e as mulheres a se cobrirem da cabeça aos pés.

"Estou quebrado. Tive que vender meus dois carros para sobreviver. Agora meu locador está exigindo dois anos de aluguel atrasado", contou Younes, pegando um troféu que o lembra dos velhos tempos.

Ele franziu o cenho ao som de explosões ao longe, onde forças iraquianas e jihadistas trocam disparos ao longo do rio Tigre, que divide a ampla metrópole, outrora um polo comercial e um centro de estudos avançados.

"Estas explosões prejudicam o negócio. Elas sacodem as mesas de bilhar e as deixam desniveladas".

Os combates já causaram ampla destruição. Os ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos demoliram dezenas de edifícios e deixaram crateras destruindo estradas. Tetos desabaram até o térreo. Outros prédios têm buracos imensos feitos por foguetes ou tiros de metralhadora.

Os morteiros ainda atingem a cidade e os disparos se fazem ouvir.

Diante do salão de bilhar de Younes está o que restou da Universidade de Mosul, uma das melhores instituições de ensino do Oriente Médio.

O Estado Islâmico vendeu os manuscritos antigos da universidade e impôs sua própria forma de educação, proibindo livros de filosofia. Quando o Exército chegou, os jihadistas incendiaram muitos de seus prédios, deixando pilhas de cinzas.

Um dono de restaurante, Qusay Ahmed, disse ter sido preso pelo Estado Islâmico e torturado durante quatro meses sob a acusação de ter roubado.

"Eles arrancaram minhas unhas com alicates", contou.

Os torturadores podem ter ido embora, mas agora existem novos desafios. Ele e outros colegas de profissão não têm água potável e a eletricidade é escassa, além de poucos clientes.

Reuters