MOSCOU (Reuters) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, instruiu autoridades nesta sexta-feira a aumentarem os exames de detecção do novo coronavírus, mas disse que o surto da Rússia está se estabilizando, apesar de a taxa de mortalidade ter alcançado um recorde diário.

O número total de casos russos, só inferior ao dos Estados Unidos, aumentou em 8.894 e chegou a 326.448, e a cifra de 150 mortes novas desta sexta-feira elevou o total a 3.249.

O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, disse que acredita que o número será muito maior em maio do que em abril. Ele ainda é muito menor do que o de muitos países europeus com menos casos, algo que provocou debate, mas que a Rússia defende.

Falando em uma reunião governamental por videochamada televisionada, Putin disse que houve uma redução gradual no número de infecções novas nos últimos dias e que a situação "como um todo está se estabilizando".

"Ao mesmo tempo, é muito importante que este declínio aconteça tendo como pano de fundo um aumento constante e significativo no número de exames", disse.

Os dados nacionais sobre o vírus mostram um recuo contínuo na quantidade de casos relatados, mas os críticos do Kremlin e veículos de mídia russos questionam a veracidade de algumas das estatísticas.

Um grupo de 509 médicos em um aplicativo chamado "Manual do Médico", citado pelo site de notícias Meduza na quinta-feira, revelou que mais de um terço dos entrevistados recebeu ordens de atribuir mortes de pneumonia provocadas pela Covid-19 a outras causas.

O Ministério da Saúde não respondeu de imediato a um pedido de comentário da Reuters sobre a reportagem.

A pesquisa revelou que quase 40% dos profissionais médicos disseram ter suprimentos inadequados de equipamento de proteção individual, e que 23,4% disseram que seus hospitais não estão prontos para receber pacientes com suspeita de infecção de coronavírus.

Moscou começou a fazer exames em massa de anticorpos do vírus nos moradores nesta semana. Das 40 mil pessoas assintomáticas examinadas, 14% mostraram sinais de infecção no sangue, de acordo com uma reportagem do Open Media, um veículo de notícias fundado por Mikhail Khodorkovsky, um crítico do Kremlin.

(Por Gleb Stolyarov e Alexander Marrow)

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