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CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Francisco denunciou "regimes opressores" em sua mensagem de Páscoa neste domingo, mas em um aparente pedido por limitação, pediu para líderes mundiais prevenirem a disseminação de conflitos, à medida que tensões aumentam na Coreia do Norte e na Síria.

Francisco, marcando a quinta temporada de Páscoa de seu pontificado, liderou uma missa para dezenas de milhares de pessoas sob medidas de segurança excepcionais na Praça São Pedro, após ataques recentes de veículos contra pedestres em Londres e Estocolmo.

Mais carros policiais e veículos militares do que o comum foram posicionados nas entradas da área do Vaticano e fieis foram parados em diversos pontos de verificação que levavam à praça, que foi decorada com 35 mil flores e árvores.

Em sua mensagem de Urbi et Orbi (à cidade e ao mundo), feita da varanda central da Basílica de São Pedro, Francisco falou sobre um mundo lacerado por conflitos e atado por tensões.

Da mesma varanda de onde se apresentou pela primeira vez ao mundo, na noite de sua escolha em 2013, Francisco falou de Deus andando "ao lado de todos os forçados a deixarem suas casas como resultado de conflitos armados, ataques terroristas, fome e regimes opressores".

Ele não nomeou quaisquer governos específicos.

"Nas situações complexas e às vezes dramáticas do mundo de hoje, que o Senhor ressuscitado guie os passos de todos aqueles que trabalham pela justiça e paz. Que ele dê aos líderes de nações a coragem que necessitam para prevenir a disseminação de conflitos e para colocar uma pausa no comércio de armas", disse.

Francisco falou horas após a Coreia do Norte alertar os Estados Unidos para pararem sua "histeria militar" ou enfrentarem retaliação, à medida que um grupo de porta-aviões dos EUA seguia em direção à região e o Estado recluso marcava o aniversário de 105 anos do nascimento de seu pai fundador.

Preocupações têm aumentado desde que os EUA lançaram 59 mísseis Tomahawk contra uma base área síria na semana passada, em resposta a um ataque a gás mortal. O ato levantou questões sobre os planos do presidente dos EUA, Donald Trump, para a Coreia do Norte, que realizou testes de mísseis e nucleares, em desafio às sanções unilaterais e da Organização das Nações Unidas (ONU).

Francisco também condenou a explosão a bomba contra um lotado comboio de ônibus sírio que matou ao menos 112 pessoas nos arredores de Aleppo, descrevendo-o como "desprezível" e pedindo que Deus leve cura e conforto ao que chamou de "amada e atormentada Síria".

Falando no dia mais importante do calendário litúrgico cristão, ele pediu paz no Sudão do Sul, Sudão, Somália, República Democrática do Congo e Ucrânia.

Uma forte chuva atingiu Roma de surpresa à medida que a missa era realizada, mas passou rapidamente, permitindo que Francisco andasse no papamóvel aberto para que pessoas no final da multidão pudessem vê-lo.  

(Por Philip Pullella)

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