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Ruínas da Mesquita Grand al-Nuri na Cidade Velha de Mosul, no Iraque 20/07/2017 REUTERS/Thaier Al-Sudani

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Por Isabel Coles

MOSUL, Iraque (Reuters) - Os refrigeradores estão quase cheios no necrotério de Mosul, onde as vítimas da guerra contra o Estado Islâmico estão guardadas.

Tantos corpos são levados para o necrotério que os trabalhadores têm dificuldade em identificar e enterrar os mortos rápido o suficiente para abrir espaço para o próximo grupo, que chega com uma regularidade sombria, na medida que os moradores limpam a cidade após nove meses de conflito urbano.

A batalha por Mosul terminou, mas a tarefa de identificar os mortos está apenas começando.

"Muito sangue foi derramado", disse um funcionário do necrotério, que pediu para não ser identificado. "O Iraque costumava ter dois rios: o Tigre e o Eufrates. Agora nós temos um terceiro: o rio de sangue".

A escala total das perdas pode nunca ser conhecida. Funcionários do necrotério e de equipes de resgate disseram que agora estão recebendo corpos em um ritmo de ao menos 30 a 40 pessoas por dias --em sua maioria mortos por ataques aéreos que ajudaram a remover os militantes.

Dentro de um dos refrigeradores, sacos pretos de corpos empilhados contém restos mortais de civis que foram metodicamente assassinados por franco-atiradores do Estado Islâmico atrás de uma fábrica de refrigerantes, enquanto fugiam em direção a forças de segurança do Iraque em junho.

Uma mulher no necrotério havia acabado de identificar um dos corpos como sua mãe: "Eu estive procurando pelo corpo dela por um mês e meio", disse. O que ela encontrou dificilmente se parecia com sua mãe, mas ela reconheceu as roupas e o conteúdo restante em seus bolsos.

"Os números são mais altos do que nós esperávamos", disse o médico Modhar al-Omary, chefe do necrotério no leste de Mosul. "Nós continuamos esperando que o fluxo diminua, mas até agora não diminuiu".

Reuters