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Criança observa as ruínas da casa de sua família que, segundo testemunhas, foi destruída por ataques aéreos israelenses, no bairro de Beit Hanoun, na Cidade de Gaza, nesta terça-feira. 12/08/2014 REUTERS/Siegfried Modola

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Por Nidal al-Mughrabi e Stephen Kalin

GAZA/CAIRO (Reuters) - As conversas para pôr fim à guerra de um mês entre Israel e militantes da Faixa de Gaza são "difíceis", disseram autoridades palestinas nesta terça-feira, enquanto autoridades israelenses afirmaram não ter havido progresso até agora e que os combates podem recomeçar em breve.

No segundo dia do cessar-fogo de 72 horas, negociadores palestinos tiveram novas conversas com a inteligência egípcia na esteira de uma reunião na segunda-feira que durou nove horas.

O Hamas, grupo islâmico que domina a Faixa de Gaza, e seus aliados almejam o fim do bloqueio imposto por Israel e Egito ao enclave costeiro.

“Estamos diante de negociações difíceis", afirmou o líder do Hamas no Cairo, Moussa Abu Marzouk, no Twitter.

Uma autoridade israelense, que se recusou a se identificar, declarou que as divergências entre as partes são grandes. “Não há progresso nas negociações”, disse.

O ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, ordenou que as forças armadas de seu país estejam prontas para uma possível retomada das hostilidades.

“Não sei se, até a meia-noite de quarta-feira, teremos chegado a um compromisso. Não sei se teremos que prolongar as negociações. Pode ser que os disparos irrompam novamente, e novamente iremos atirar neles”, afirmou.

Um funcionário palestino com conhecimento das tratativas no Cairo disse à Reuters, sob condição de anonimato: "Até agora não podemos dizer que obtivemos um avanço... mais 24 horas e veremos se temos um acordo”.

O Hamas também quer a abertura de um porto em Gaza, projeto que Israel afirma que só deve ser abordado em futuras conversas sobre um acordo de paz permanente com os palestinos.

Israel vem resistindo à suspensão do embargo econômico que sufoca Gaza e suspeita que o Hamas irá se reabastecer de armas do exterior se o acesso ao território costeiro for facilitado. O vizinho Egito também considera o grupo uma ameaça de segurança.

O funcionário palestino declarou que sua delegação concordou que a reconstrução em Gaza deve ser conduzida pelo governo de união de tecnocratas criado em junho pelo Hamas e pela secular Fatah, partido do presidente palestino, Mahmoud Abbas, sediado na Cisjordânia e apoiado pelo Ocidente.

Representantes israelenses não têm se encontrado cara a cara com a delegação palestina por incluir o Hamas, que Israel considera uma organização terrorista. O próprio Hamas afirma desejar a destruição de Israel.

Em Genebra, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou uma comissão internacional de inquérito para averiguar possíveis violações dos direitos humanos e crimes de guerra dos dois lados durante o conflito.

A comissão foi elogiada pelo Hamas e criticada por Israel.

Reuters