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ABUJA (Reuters) - O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas pode, em poucas semanas, ficar sem recursos para alimentar milhões de pessoas vivendo à beira da fome na Nigéria, disseram quatro pessoas familiarizadas com o assunto, intensificando uma das maiores crises humanitárias do mundo.

No nordeste da Nigéria, 4,7 milhões de pessoas, muitos delas refugiadas do conflito com o grupo militante islâmico Boko Haram, precisam de rações para sobreviver, de acordo com o Programa Mundial de Alimentos. Muitos dos que vivem em acampamentos para pessoas deslocadas dizem que já mal conseguem o suficiente para comer.

"Com o dinheiro que têm agora, e se eles não cortarem as rações, eles só podem ir até 18 de maio", disse uma pessoa citando conversas com o programa da ONU, que pediu para não ser identificada porque não tem autorização para falar com a mídia.

O Programa Mundial de Alimentos estava "razoavelmente certo" que receberia financiamento suficiente para manter a ajuda até o final de junho, acrescentou a pessoa.

"Todas as crises humanitárias em nível global estão lamentavelmente subfinanciadas e a Nigéria está numa das piores situações de financiamento", disse uma porta-voz do programa da ONU.

"Estamos tentando salvar vidas, precisamos nos próximos seis meses de 207 milhões de dólares para a Nigéria, no momento em que o programa tem financiamento para 13 por cento do ano de 2017. É extremamente baixo, dos quatro países que enfrentam a fome é o menos financiado".

O conflito com a insurgência islâmica Boko Haram, que busca estabelecer um califado no nordeste da Nigéria, começou em 2009 e não mostra sinais de fim. Mais de 20 mil pessoas foram mortas e mais de dois milhões deslocadas até o momento com o conflito.

(Por Pauyl Carsten)

((Tradução Redação São Paulo, +55 111 56447719))

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