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Palestinos observam os destroços da torre de uma mesquita que, segundo policiais, foi destruída por ataque aéreo israelense, na Faixa de Gaza, nesta quarta-feira. 30/07/2014 REUTERS/Finbarr O'Reilly

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Por Nidal al-Mughrabi e Maayan Lubell

GAZA/JERUSALÉM (Reuters) - Um bombardeio de Israel matou pelo menos 15 palestinos refugiados em uma escola administrada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e outros 17 perto de um mercado de rua nesta quarta-feira, informou o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, sem um cessar-fogo em vista depois de mais de três semanas de combates.

Outra escola da ONU que servia de abrigo foi bombardeada na semana passada na região, matando pelo menos 15 pessoas e ferindo 200, segundo autoridades do território palestino.

O gabinete de segurança de Israel decidiu continuar a ofensiva no enclave e não há sinal de uma interrupção no conflito de 23 dias no qual 1.346 pessoas, a maioria civis, já morreram. Do lado israelense, 56 soldados e três civis foram mortos.

Cerca de 3.300 palestinos, incluindo muitas mulheres e crianças, estavam abrigados na escola, no campo de refugiados de Jabalya, quando os disparos começaram no amanhecer desta quarta-feira, afirmou a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA, na sigla em inglês).

“Nossa avaliação inicial é de que a artilharia israelense atingiu nossa escola”, declarou o chefe da UNRWA, Pierre Krahenbuhl, em um comunicado depois que representantes da agência visitaram o local e examinaram fragmentos, crateras e outros danos.

Havia respingos de sangue no chão e em colchões nas salas de aula da escola e sobreviventes retiraram partes de corpos em meio a estilhaços de vidro e destroços para realizar os enterros.

“Clamo à comunidade internacional para que conduza uma ação política internacional deliberada para pôr um fim imediato a essa carnificina contínua”, disse Krahenbuhl.

O Ministério da Saúde de Gaza estimou o número de mortos no ataque à escola em 15, com mais de 100 feridos. A ONU afirmou que 16 pessoas foram mortas no episódio.

Uma porta-voz dos Exército israelense disse que os militantes dispararam morteiros de um local próximo à escola e que as tropas atiraram em reação. O incidente ainda está sendo investigado.

O Exército declarou que três soldados israelenses morreram nesta quarta-feira quando uma bomba escondida explodiu em um túnel que eles haviam descoberto em uma residência no sul da Faixa de Gaza.

A UNRWA disse na terça-feira ter encontrado um esconderijo de foguetes em outra escola de Gaza, a terceira descoberta deste tipo desde o início do conflito. A agência criticou grupos militantes por ameaçar a vida de civis.

Krahenbuhl afirmou que a localização precisa da escola de Jabalya e o fato de estar abrigando milhares de deslocados foram comunicados aos militares israelenses 17 vezes, e a notificação mais recente ocorreu poucas horas antes do bombardeio fatal.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, falando da Costa Rica, condenou o ataque. “É ultrajante. É injustificável. E exige responsabilização e justiça”, declarou.

A Casa Branca condenou o bombardeio da escola. "Estamos extremamente preocupados que milhares de palestinos desabrigados que receberam aviso do Exército israelense para deixarem suas casas não estejam seguros em abrigos designados pela ONU em Gaza", disse a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Bernadette Meehan.

"Condenamos também os responsáveis ​​por esconder armas em instalações das Nações Unidas em Gaza."

REAÇÃO COMO UM TERREMOTO

Outro bombardeio de Israel matou pelo menos 17 pessoas e feriu cerca de 160 perto de uma feira em Shejaia, vizinhança intensamente bombardeada nos arredores do leste da Cidade de Gaza, informou o Ministério da Saúde.

Testemunhas relataram que a multidão havia se reunido para ver um posto de combustível atingido mais cedo arder em chamas. Os militares israelenses não comentaram de imediato.

“Tal massacre exige uma resposta como um terremoto”, declarou o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum.

O Ministério da Saúde de Gaza disse que agentes do resgate recuperaram mais 20 corpos em diferentes áreas de Gaza. Não estava claro se todos os corpos encontrados eram de pessoas mortas nesta quarta-feira.

O Exército israelense afirmou que 125 foguetes foram disparados de Gaza, alguns alcançando regiões mais distantes em Israel, mas sem provocar danos ou baixas. O Hamas disse ter lançado quatro foguetes em direção a Tel Aviv.

O ministro das Comunicações de Israel, Gilad Erdan, membro do gabinete de segurança, disse que o organismo instruiu os militares a levar adiante sua campanha para localizar e destruir os túneis que os militantes construíram sob a fronteira de Gaza e usaram para disparar foguetes dentro do território israelense.

“Nos próximos dias, daremos total liberdade operacional para que as Forças de Defesa de Israel reajam ao terrorismo e completem a neutralização e destruição dos túneis”, declarou Erdan à rede de TV Channel Two.

O chefe do comando militar do sul, major-general Sami Turgeman, disse a jornalistas que o Exército estava "apenas a alguns dias de destruir todos os túneis de ataque".

Ele acrescentou que a ofensiva contra os militantes no enclave islâmico dominado pelo Hamas tinha sido ampliado para incluir mais alvos no centro e sul da Faixa de Gaza.

De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, 1.346 palestinos, a maioria civis, morreram desde que Israel iniciou sua ofensiva em 8 de julho com o propósito declarado de conter os disparos de foguetes na divisa e eliminar a rede de túneis do Hamas.

Pelo menos 99 palestinos foram mortos só nesta quarta-feira. Apesar do número de vítimas israelenses, o apoio da população à continuidade da operação militar continua forte, na esperança de que se evitem novos conflitos no futuro.

(Reportagem adicional de Ari Rabinovitch, em Jerusalém; de Noah Browning, em Ramallah; de Yasmine Saleh, no Cairo; de Tom Miles, em Genebra; e de Michelle Nichols, em Nova York)

Reuters