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Por Ayman Al-Warfalli

TOBRUK, Líbia (Reuters) - A recém-eleita Câmara dos Deputados da Líbia realizou neste sábado a sua primeira sessão em um hotel fortemente protegido, enquanto facções armadas tornaram as duas principais cidades do país, Trípoli e Benghazi, em campos de batalha.

Governos ocidentais, que em geral retiraram seus diplomatas da nação após duas semanas de conflitos, esperam que o novo Parlamento possa criar espaço para negociações após os piores combates desde a queda de Muammar Gaddafi, em 2011.

Mas não há sinais de paz em Trípoli, onde uma grande coluna de fumaça se espalhou pelo sul da cidade neste sábado, depois de um depósito de combustível perto do aeroporto internacional ter sido atingido pela segunda vez em uma semana. As brigadas rivais de Zintan e Misrata disputam o controle do local.

Os conflitos em Trípoli e em Benghazi mataram mais de 200 pessoas e deixam a Líbia mais perto de uma guerra civil, apenas três anos depois da revolução apoiada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A Grã-Bretanha se tornou o governo mais recente a anunciar que fecharia sua embaixada no país, temendo que ela seja atingida em meio aos conflitos.

Com o Exército nacional ainda sendo formado, a Líbia tem dificuldades para controlar as facções fortemente armadas que se autoproclamam detentoras do poder em meio à bagunçada transição desde a morte de Gaddafi.

Eleitos em junho, os legisladores se encontraram neste sábado para uma sessão emergencial em Tobruk, uma cidade costeira a leste de Benghazi, onde supostamente formarão um novo governo, o que para muitos sírios é um passo fundamental para o fim da crise.

“Nossa pátria está queimando”, afirmou o líder interino do Parlamento, Abu Bakar Baira. “Temos que trabalhar rapidamente para atender às demandas do povo e salvá-lo do desastre.”

O Parlamento, que tem 200 membros, realizará a sua primeira sessão oficial na segunda-feira para eleger um novo presidente, afirmou Baira. Alguns deputados querem formar um novo gabinete para tomar conta da crise, disseram três deles à Reuters.

Três anos após a queda de Gaddafi, poucas instituições estatais líbias têm legitimação popular, e a nação ainda não possui uma nova Constituição. Milícias atacaram o Parlamento anterior repetidamente para ameaçar os legisladores.

Soldados fortemente armados do Ministério do Interior e do Exército protegem o hotel em Tobruk, que foi escolhido para sediar o encontro do Parlamento, depois de Trípoli e Benghazi terem sido classificadas como locais muito perigosos para o evento.

Alguns países ocidentais estão preocupados com a possibilidade de a violência na Líbia criar um Estado fracassado. Temendo que a violência extrapole as fronteiras líbias, os vizinhos Egito, Tunísia e Argélia alertaram sobre os riscos da atual situação.

Centenas de egípcios entraram em conflito com guardas fronteiriços tunisianos na sexta-feira enquanto tentavam fugir da Líbia. A Tunísia fechou temporariamente a sua fronteira com o território líbio.

(Reportagem adicional de Feras Bosalum)

Reuters