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Obama condena execução de jornalista dos EUA em declaração em Martha's Vineyard, Massachusetts. REUTERS/Kevin Lamarque

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Por Alexander Dziadosz e Steve Holland

BAGDÁ/EDGARTOWN Estados Unidos (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, expressou revolta nesta quarta-feira com a decapitação de um jornalista norte-americano por militantes islâmicos e prometeu que seu país irá fazer o que precisar para proteger seus cidadãos em meio a um aumento do repúdio internacional aos insurgentes.

Pouco depois de Obama chamar o grupo militante Estado Islâmico de “câncer” com uma ideologia fracassada, o Pentágono afirmou que aeronaves dos EUA conduziram 14 ataques aéreos nas redondezas da represa de Mosul, no Iraque, destruindo ou danificando veículos, caminhões e explosivos dos militantes.

O Estado Islâmico divulgou um vídeo na terça-feira que supostamente mostra a decapitação do jornalista James Foley em represália aos ataques aéreos norte-americanos no Iraque, e despertou tamanho horror que as potências ocidentais podem se sentir impelidas a aumentar as ações contra o grupo.

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, encurtou suas férias e a inteligência britânica tentava identificar o assassino de Foley, enquanto a França pediu cooperação internacional contra os militantes islâmicos, que combatem em territórios no Iraque e na Síria.

Autoridades dos EUA afirmaram que os analistas de inteligência determinaram a autenticidade do vídeo, intitulado “Uma mensagem aos Estados Unidos”, que também exibe imagens de outro jornalista norte-americano, Steven Sotloff, cujo destino o grupo disse depender de como os EUA agirem no Iraque.

O vídeo publicado na Internet deixa Obama diante de opções desoladoras, que podem definir o envolvimento de seu país no Iraque e a reação pública a isso, com o potencial de arrastar o presidente ainda mais profundamente para um conflito que ele se empenhou em encerrar.

Obama chamou a decapitação de Foley de "um ato de violência que chocou a consciência de todo o mundo" e disse que os militantes mataram civis inocentes, submeteram mulheres e crianças a tortura, estupro e escravidão e alvejaram muçulmanos, cristãos e minorias religiosas.

REAÇÃO

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou que sua nação “jamais irá se curvar diante de tamanho mal”.

“O Estado Islâmico e a maldade que ele representa devem ser destruídos, e aqueles responsáveis por esta atrocidade hedionda serão responsabilizados”, declarou em um comunicado.

A polícia antiterrorista britânica iniciou uma investigação do vídeo, no qual o assassino de Foley fala com sotaque londrino.

Aparentemente um cidadão britânico, o criminoso é um de centenas de muçulmanos europeus que se juntaram ao Estado Islâmico no Iraque e na Síria, e que autoridades dizem representarem uma ameaça de segurança para interesses norte-americanos e europeus se voltarem para casa.

A França afirmou desejar que os membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e países da região, como Estados árabes e o Irã, coordenem ações contra o grupo insurgente. O presidente francês, François Hollande, clamou por uma conferência internacional para discutir como lidar com os militantes.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, repudiou “o assassinato horripilante do jornalista James Foley, um crime abominável que ressalta a campanha de terror que o Estado Islâmico continua a levar adiante contra os povos do Iraque e da Síria”, declarou o porta-voz da ONU Stephane Dujarric.

O chanceler iraquiano, Hoshiyar Zebari, fez um apelo por ajuda ao seu país contra o Estado Islâmico, o qual ele descreveu como uma ameaça mundial.

(Reportagem adicional de Stephanie Nebehay em Genebra, Oliver Holmes e Tom Perry em Beirute, Sabine Siebold em Berlin, Costas Pitas e William James em Londres, Louis Charbonneau na Organização das Nações Unidas e John Irish em Paris)

Reuters