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Militares ucranianos fazem patrulha em blindado perto de Donetsk. 11/08/2014 REUTERS/Valentyn Ogirenko

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Por Adrian Croft e Sergei Karpukhin

BRUXELAS/DONETSK- (Reuters) - A Otan disse nesta segunda-feira haver uma "alta probabilidade" de a Rússia invadir a Ucrânia, onde o governo afirma que suas forças se aproximam de Donetsk, principal cidade controlada pelos rebeldes pró-Rússia.

Kiev afirmou estar nos "estágios finais" para recuperar Donetsk, de longe a maior cidade sob comando dos rebeldes pró-Rússia. O combate pela cidade pode ser um ponto de virada decisivo em um conflito que tem provocado o maior antagonismo entre a Rússia e o Ocidente desde a Guerra Fria.

Metrópole industrial com uma população pré-conflito de cerca de 1 milhão de pessoas, o principal reduto dos rebeldes foi agitado por bombardeios e trocas de tiros durante o fim de semana e armamentos pesados se movimentaram rapidamente nos arredores da cidade na madrugada desta segunda-feira.

A Ucrânia aparenta pressionar sua ofensiva adiante, sem se intimidar com a presença de milhares de soldados russos na fronteira próxima entre os países, que segundo a Otan estariam preparados para uma invasão por terra.

Um porta-voz militar ucraniano disse nesta segunda-feira que a Rússia reuniu cerca de 45 mil homens na fronteira com a Ucrânia, com o apoio de equipamento pesado incluindo tanques, sistemas de mísseis, aviões de combate e helicópteros de ataque.

Kiev disse no últimos dias que tem sido bem-sucedida em usar a diplomacia para prevenir que a Rússia lance uma invasão por terra para proteger os rebeldes com a desculpa de uma missão humanitária. Moscou anunciou na sexta-feira que estava encerrando seus exercícios militares na região.

Mas o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que não houve nenhum sinal de retirada das tropas concentradas pela Rússia na fronteira.

Questionado em uma entrevista à Reuters sobre o quão altas ele classificaria as chances de uma intervenção militar russa, Rasmussen disse: "Há uma alta probabilidade."

"Vemos os russos desenvolvendo a narrativa e o pretexto para uma operação como essa sob o disfarce de uma operação humanitária, e vemos um acúmulo militar que poderia levar a tais operações militares ilegais na Ucrânia", afirmou.

A Otan acredita que qualquer missão humanitária russa seria usada como pretexto para resgatar rebeldes, que lutam pelo controle de duas províncias sob o slogan de uma "Nova Rússia", termo que Putin tem usado para se referir às regiões sul e leste da Ucrânia, onde o russo é a língua predominante.

Apesar da presença de tropas russas na fronteira, Kiev segue adiante com sua ofensiva, aparentemente calculando que a pressão do Ocidente deve deter o lançamento de uma invasão por Putin.

Nesta segunda-feira, o Kremlin descartou uma operação humanitária unilateral. O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, disse que Moscou somente enviaria ajuda humanitária como parte de uma missão internacional, palavras que podem ser interpretadas como uma tentativa de reafirmar ao Ocidente e a Kiev que Moscou não planeja uma invasão.

CIDADES ISOLADAS

O porta-voz dos militares ucranianos Andriy Lysenko disse à Reuters que as forças do governo finalmente tiveram sucesso em interditar a estrada entre Donetsk e Luhansk, cidade mais próxima da fronteira controlada pelos rebeldes. Kiev e seus aliados ocidentais dizem que a rota era a principal via de abastecimento de armas aos rebeldes em Donetsk.

"As forças da operação antiterrorista se preparam para o estágio final de libertação de Donetsk", disse Lysenko à Reuters. "Nossas forças isolaram completamente Donetsk de Luhansk. Estamos trabalhando para libertar ambas as cidade, mas é melhor libertar Donetsk primeiro -- é mais importante."

O líder dos rebeldes em Donetsk, Alexander Zakharchenko, um nativo da região que assumiu a liderança das mão de um cidadão russo na semana passada, disse que os militantes consideravam organizar um contra-ataque contra as forças do governo nos próximos dois ou três dias.

(Reportagem adicional de Richard Balmforth, Pavel Polityuk e Natalia Zinets, em Kiev; Alexei Anishchuk e Lina Kushch, em Donetsk)

Reuters