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Manifestantes protestam em frente ao Portão de Brandenburgo, ao lado da embaixada dos EUA em Berlim, contra decisão do presidente Donald Trump de abandonar Acordo de Paris. 02/06/2017 REUTERS/Fabrizio Bensch

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Por Thomas Escritt e Philip Blenkinsop

BERLIM/BRUXELAS (Reuters) - A China e a Europa prometeram nesta sexta-feira se unirem para salvar a "Mãe Terra", em firme oposição à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar o país do Acordo de Paris contra as mudanças climáticas.

Outros países, incluindo Rússia, Índia e México, logo expressaram seu compromisso com o pacto, embora um assessor do Kremlin tenha dito que o acordo não será viável sem a participação dos EUA.

A França disse que irá trabalhar com Estados e cidades norte-americanos --alguns dos quais já se manifestaram contra a decisão de Trump-- para manter a luta contra a mudança climática.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) procurou quantificar a decisão de Trump, estimando que a saída dos EUA do acordo de corte de emissões pode causar uma elevação de 0,3 grau Celsius nas temperaturas globais até o final do século no pior dos casos.

Trump, insistindo no bordão "América Primeiro", que usou quando foi eleito no ano passado, disse que irá retirar o país do acordo histórico de 2015, que almeja conter o aquecimento global. Ele disse que participar do pacto prejudicaria a economia norte-americana, reduziria empregos, enfraqueceria sua soberania nacional e deixaria seu país em uma desvantagem permanente diante de outras nações do mundo.

A medida foi recebida com um misto de consternação e revolta de muitas indústrias e também de governos de todo o planeta, que se apressaram para renovar seu comprometimento com a contenção do aquecimento global.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, filha de pastor que normalmente trata sua fé como uma questão particular, disse que o acordo é necessário "para preservar a Criação".

Em Paris, o presidente francês, Emmanuel Macron, virou o slogan de campanha de Trump, "Tornar a América Grande Novamente!", de ponta-cabeça, dizendo em um raro comentário em inglês que é hora de "tornar o planeta grande novamente".

Um encontro previamente marcado entre o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e autoridades europeias de alto escalão em Bruxelas nesta sexta-feira foi dominado pela decisão de Trump.

A reunião irá terminar com um comunicado conjunto prometendo a implementação plena do Acordo de Paris e o comprometimento da China e da União Europeia de reduzir o consumo de combustíveis fósseis, desenvolver mais tecnologia verde e ajudar a arrecadar 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para ajudar nações mais pobres a cortarem suas emissões altamente poluentes.

A China emergiu como parceira improvável da Europa nesta e em outras áreas, sublinhando o isolamento de Trump em muitas questões.

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