Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Cadeiras vazias são vistas em escola em dia de protestos em Caracas, na Venezuela. 14/06/2017 REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

(reuters_tickers)

Por Brian Ellsworth e Andreina Aponte

CARACAS (Reuters) - Preocupados com os protestos antigoverno que bloqueiam avenidas e ruas de toda a Venezuela várias vezes por semana, muitos pais venezuelanos passam as noites se fazendo a mesma pergunta: será que meus filhos conseguirão chegar à escola amanhã?

Se os pais temem não conseguir buscar os filhos depois das aulas por causa dos tumultos, os professores muitas vezes são obrigados a faltar ao trabalho devido aos confrontos entre manifestantes e tropas.

Ainda assim, o Ministério da Educação vem se recusando a cancelar as aulas em escolas públicas mesmo quando a violência resultante dos protestos representa um risco para os alunos, principalmente devido ao gás lacrimogêneo disparado para dispersar manifestantes.

O governo também proibiu que as escolas particulares, que atendem cerca de um quarto dos alunos dos ensinos primário e secundário do país, suspendam as aulas.

Como resultado, uma das responsabilidades mais rotineiras dos pais --pegar os filhos na escola-- hoje exige planos de contingência que mudam sempre e o cálculo da probabilidade de passarem ilesos pelas manifestações, que já deixaram 75 mortos.

"Olhamos o Twitter até umas 21h30, 22h, e é quando decidimos se vamos levar nosso filho à escola no dia seguinte", disse Ignacio, engenheiro de telecomunicações de 33 anos que pediu que seu sobrenome não fosse mencionado por medo de represálias.

Revoltados com a inflação de três dígitos e a escassez crônica de alimentos e remédios, os manifestantes se reúnem nas principais avenidas para realizar protestos que vão de ocupações pacíficas ao lançamento de pedras contra tropas que disparam balas de borracha e gás lacrimogêneo.

Tudo isso gera um caos no trânsito que chega a travar o transporte público precisamente quando as escolas estão dispensando os estudantes.

Os manifestantes exigem que o governo socialista do presidente Nicolás Maduro resolva uma grave crise econômica e descarte o plano de reescrever a Constituição do país.

Os pais tentam explicar delicadamente aos filhos por que eles não estão na escola e ao mesmo tempo blindá-los da retórica política violenta, que se infiltra cada vez mais no vocabulário até das crianças do ensino primário.

Os professores remarcam aulas e provas constantemente para compensar os dias perdidos do ano letivo, que normalmente vai de outubro a julho. Já os pais temem que seus filhos fiquem para trás nos estudos se os tumultos continuarem.

Maduro diz que, em alguns casos, escolas particulares cancelaram aulas como uma maneira de apoiar a oposição. No mês passado, o Ministério da Educação, que não respondeu a um pedido de comentário, multou 15 delas por "permitirem, provocarem e incitarem ações violentas em instalações educativas e em suas áreas circundantes".

Reuters