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Por Philip Pullella e Helen Murphy

BOGOTÁ (Reuters) - O papa Francisco pediu nesta quinta-feira para colombianos se afastarem da vingança após uma sangrenta guerra de 50 anos contra guerrilhas, mas desafiou os líderes do país a promulgarem leis justas para resolver as causas da desigualdade que levam à violência.

No início de seu primeiro dia completo na Colômbia, o papa Francisco disse a líderes do governo no pátio do palácio presidencial que todos os colombianos devem ver a paz como um compromisso de longo prazo e que não devem permitir que seja enfraquecida por políticas partidárias.

Colombianos estão profundamente polarizados conforme se preparam para receber 7 mil ex-combatentes do grupo guerrilheiro Farc na sociedade e buscam reparar divisões após uma guerra que matou mais de 220 mil pessoas e deslocou milhões durante cinco décadas.

“Apesar de obstáculos, diferenças e perspectivas variadas sobre a maneira de alcançar coexistência pacífica, esta tarefa (de reconciliação) nos ordena a perseverar na luta para promover uma cultura de encontro”, disse aos dignitários, liderados pelo presidente Juan Manuel Santos.

Conservadores colombianos estão furiosos que sob o acordo de paz de 2016, líderes das Farc acusados de sequestros e assassinatos vão evitar sentenças prisionais e ao invés disto podem receber assentos no Congresso como membros de um partido político civil.

“Não vale a pena silenciar os rifles se continuarmos armados em nossos corações”, disse Santos. “Não há ponto em terminar uma guerra se ainda nos vemos como inimigos. É por isto que precisamos nos reconciliar.”

O papa Francisco disse esperar que a determinação para alcançar paz duradoura possa “nos ajudar a escapar da tentação de vingança e da satisfação de interesses partidários de curto prazo”.

“Quanto mais exigente o caminho que leva à paz e compreensão, maior devem ser nossos esforços para reconhecermos uns aos outros, para curarmos feridas, para construirmos pontes, para fortalecermos relações e apoiarmos uns aos outros”, acrescentou.

Mas o papa, em sua 20ª viagem internacional e sua quinta à América Latina, disse que “leis justas” são necessárias para “resolver as causas estruturais da pobreza que levam à exclusão e violência”.

Como parte do acordo de paz, o governo concordou com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em distribuir mais terras e títulos de terras para comunidades rurais pobres e investir e levar desenvolvimento a áreas devastadas pela guerra.

As Farc, que começaram como uma revolta camponesa em 1964, também prometeram ajudar agricultores de subsistência a trocarem plantações ilegais como a de coca, matéria-prima da cocaína, pelo cultivo de alimentos.

“Não esqueçamos que a desigualdade é a raiz de todos os males sociais”, disse Francisco no palácio presidencial, após abraçar e abençoar crianças vestidas de branco.

O papa recebeu uma tumultuada saudação quando chegou na quarta-feira e multidões se juntaram no início da manhã desta quinta-feira em frente à embaixada do Vaticano para vê-lo sair em direção ao palácio presidencial.

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Reuters