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Por Mahmoud Mourad

CAIRO (Reuters) - O Parlamento do Egito aprovou por unanimidade nesta terça-feira um estado de emergência de três meses, ampliando o poder das autoridades para combater o que elas chamam de inimigos do Estado, dois dias após os ataques a bomba em igrejas que deixaram ao menos 45 mortos.

Dois ataques suicidas, reivindicados pelo Estado Islâmico, em igrejas em Alexandria e Tanta deixaram a nação de luto e chocaram a comunidade cristã copta, que tem sido cada vez mais visada por militantes.

O estado de emergência nacional foi declarado pelo presidente Abdel Fattah al-Sisi no domingo, após os ataques, mas precisava da aprovação do Parlamento de acordo com a constituição.

O fim da lei de emergência foi uma demanda chave durante a revolta de 2011 que tirou do poder o ex-presidente Hosni Mubarak, que tinha imposto um estado de emergência de 30 anos para derrotar a oposição. A lei foi suspensa depois que Mubarak deixou o poder, mas foi reimposta temporariamente nos anos seguintes.

    Falando com o Parlamento nesta terça-feira, o primeiro-ministro Sherif Ismail disse que o estado de emergência é essencial para combater o que ele chamou de grupos terroristas empenhados em deteriorar o país.

O retorno da lei levanta temores em alguns egípcios, que vêem o acontecimento como uma volta formal do estado de polícia de antes de 2011, em um momento em que ativistas de direitos humanos dizem já enfrentar a pior repressão de sua história.

A lei garante ao Executivo amplos poderes, permitindo que ele feche companhias, censure grupos de mídia, impeça protestos e monitore comunicações pessoais sem precisar de aprovação judicial, disse Nasser Amin, chefe de uma organização liderada por egípcios que trabalha para avançar com a independência judicial.

    (Reportagem de Ali Abdelaty e Ahmed Tolba)

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