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Imperador do Japão, Akihito, em comemoração de seu aniversário de 83 anos no Palácio Imperial em Tóquio. 23/12/2016 REUTERS/Issei Kato

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Por Elaine Lies

TÓQUIO (Reuters) - O Parlamento do Japão aprovou nesta sexta-feira uma lei que permite que o imperador Akihito abdique, abrindo caminho para a primeira abdicação de um monarca japonês em quase dois séculos e para a ascensão de seu filho, o príncipe Naruhito, provavelmente no final do ano que vem.

Akihito, que tem 83 anos e passou por uma cirurgia cardíaca e um tratamento de câncer na próstata, disse no ano passado, em comentários públicos raros, que teme que a idade lhe dificulte continuar no cumprimento de suas tarefas.

De fala suave, Akihito, o primeiro imperador que nunca foi considerado divino, trabalhou em casa e no exterior durante décadas para sanar as feridas da Segunda Guerra Mundial. Ele lutou em nome de seu pai, Hirohito, e será sucedido por Naruhito, de 57 anos.

Em uma votação transmitida ao vivo pela televisão pública NHK, a câmara alta do Parlamento aprovou o projeto de lei, também endossado pela câmara baixa na semana passada.

"A abdicação irá acontecer pela primeira vez em 200 anos, lembrando-me mais uma vez como este assunto é importante para a fundação de nossa nação, sua longa história e seu futuro", disse o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, a repórteres após a votação.

Agora o governo tem que decidir os detalhes da abdicação, inclusive sua ocasião, mas reportagens disseram que deve acontecer no final de 2018, o que marcaria três décadas de presença de Akihito no trono Crisântemo.

A abdicação, a primeira desde 1817, parece ter o apoio da população em geral, que a vê como um sinal da mudança dos tempos.

"Essencialmente o imperador está renunciando, o que sinto ser uma questão de foro íntimo", disse Masayoshi Matsumoto, animador de 47 anos.

O governo também tem que assegurar a continuidade de uma monarquia vitimada pela falta de herdeiros homens e um número cada vez menor de membros da família imperial. As mulheres não têm permissão de herdar o trono e deixar a família ao se casarem, uma questão que ganhou relevo no mês passado com o anúncio de que a neta mais velha do imperador irá se casar com um homem do povo.

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Reuters