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Por Joseph Guyler Delva
PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - O partido político do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide não poderá disputar as eleições legislativas de 28 de fevereiro no Haiti, disseram autoridades na quarta-feira.
A decisão foi imediatamente criticada por Aristide, que foi deposto em 2004 e está exilado na África do Sul, onde questionou se as autoridades estão tentando "organizar uma eleição ou fazer uma seleção".
Esse ex-padre de retórica populista se tornou em 1991 o primeiro presidente eleito livremente no Haiti, e ganhou um novo mandato em 2000. Seu partido Família Lavalas ainda é a força política mais popular na miserável nação caribenha de 9 milhões de habitantes.
"O partido Família Lavalas não será autorizado a participar na próxima eleição porque a assessoria jurídica do conselho eleitoral disse que o partido não atendeu a todos os requisitos legais", disse a rádios locais o presidente do conselho, Gaillot Dorsainvil, sem especificar que requisitos deixaram de ser cumpridos.
Fontes próximas ao conselho eleitoral disseram à Reuters que o veto ao partido foi motivado por suspeitas de falsificação na assinatura de Aristide em uma carta enviada por fax, autorizando representantes locais a registrar o partido.
Na semana passada, o conselho pediu ao partido que apresentasse o original da carta. O documento foi entregue às autoridades, que então decidiram barrar o partido.
Numa entrevista por telefone a uma rádio, Aristide confirmou que autorizou a funcionária Marise Narcysse a registrar o partido, e questionou a lisura das futuras eleições.
"Isso irá depender de se o conselho eleitoral quer organizar uma eleição ou fazer uma seleção. Se querem organizar eleições, eu os encorajo. Mas se querem fazer uma seleção, peço a eles que não trilhem esse caminho, porque não servirá aos interesses do país."
Estarão em disputa 98 das 99 vagas da Câmara e 10 das 30 do Senado. A última vaga da Câmara será decidida numa votação posterior.
Aristide era acusado de corrupção e nepotismo na época em que foi deposto, numa violenta rebelião armada e sob pressão dos EUA e da França para renunciar.

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Reuters