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Arqueologista trabalha em túmulo de imigrantes chineses descobertos em uma pirâmide pré-colombiana em Lima, no Peru REUTERS/Mariana Bazo

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LIMA (Reuters) - Arqueólogos que investigam o passado pré-colombiano do Peru descobriram recentemente um vislumbre de um capítulo pouco destacado da história do país andino –vestígios de 16 operários chineses que trabalharam no país mais de 100 anos atrás.

Os corpos, que se acredita serem de operários contratados e levados ao Peru para substituir o trabalho escravo, foram encontrados enterrados no topo de uma pirâmide de adobe usada primeiramente pelo antigo povo ichma, disse Roxana Gómez, a principal arqueóloga na escavação, na quinta-feira.

O Peru foi um dos principais destinos da mão de obra chinesa na América Latina no século 19, um mercado que floresceu depois que a escravidão foi abolida no país em 1854.

Os chineses encontrados na pirâmide de Bellavista, em Lima, foram sepultados no final dos anos 1800 e início dos anos 1900 e provavelmente eram catadores de algodão em uma plantação próxima em condições "muito difíceis", disse Roxana.

Como possível sinal da forma como os chineses emergiram gradualmente da pobreza extrema no Peru, os primeiros 11 corpos estavam envoltos em tecidos e depositados no solo, enquanto os cinco últimos usavam casacos azuis e verdes e foram enterrados em caixões de madeira, explicou a arqueóloga.

"Em um caixão chinês, um cachimbo de ópio e um pequeno vaso de cerâmica foram incluídos nos arranjos funerários."

Normalmente os operários chineses não tinham permissão de ser enterrados em cemitérios católicos de Lima, o que os obrigava a improvisar locais de enterro, de acordo com o Ministério da Cultura peruano.

Resquícios de trabalhadores chineses já haviam sido encontrados em Lima em outras pirâmides de adobe conhecidas como "huacas". Construídas por povos nativos que governaram o litoral peruano do Oceano Pacífico no passado distante, as huacas eram usadas como centros administrativos e religiosos onde era frequente enterrar membros da elite com objetos de ouro, cerâmicas ou sacrifícios humanos.

Roxana disse que as huacas tinham uma aura de segredo que pode tê-las tornado atraentes como local de enterro de operários chineses.

A huaca de Bellavista foi ocupada pelos ichmas perto do ano 1000 d.C. e mais tarde foi anexada pelo império inca até a chegada dos conquistadores espanhóis, que consideravam as huacas profanas.

Mais tarde imigrantes italianos criaram vinhedos na base do local, acrescentou Roxana.

"A melhor maneira de entender nossa história é como um contínuo de culturas diferentes", afirmou.

         (Por Mitra Taj e Reuters TV)

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Reuters