Por Elizabeth Piper e James Davey

LONDRES (Reuters) - A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, pode ver seu plano para renegociar a saída britânica da União Europeia sofrer uma derrota no Parlamento nesta quinta-feira, o que minaria a promessa que fez ao bloco de que, com alterações, consegue a aprovação do acordo.

A votação simbólica desta quinta-feira foi vista pela equipe de May como pouco mais do que a confirmação de seu plano para obter mudanças no acordo de separação com a UE, o que lhe daria mais tempo para apaziguar os temores dos parlamentares a respeito de uma parte dele – o backstop irlandês.

Mas defensores radicais do Brexit do Partido Conservador da premiê estão irritados com o que dizem ser sua disposição para descartar uma saída sem acordo – algo que May e sua equipe negam, dizendo que, por lei, se não houver um entendimento o país sairá da UE no dia 29 de março sem um acordo.

A última reviravolta na negociação de dois anos para romper com o bloco sublinha as divisões profundas no Parlamento sobre como, e até se, o Reino Unido deveria deixar a UE, a maior guinada política e comercial do país em mais de 40 anos.

Uma rebelião, mesmo em uma votação simbólica, seria um golpe para May, que vem insistindo com líderes da UE que, se lhe oferecerem mais concessões na proposta acertada em novembro, ela consegue uma maioria no Parlamento e a aprovação do pacto.

O ministro do Comércio, Liam Fox, fez um apelo aos parlamentares para que apoiem a premiê, alertando: "Nossos parceiros europeus estarão observando".

Um parlamentar conservador disse que um grupo de apoiadores do Brexit da sigla, o Grupo Europeu de Pesquisa, está debatendo qual estratégia adotar nesta quinta-feira --seja para votar contra ou a favor.

May está tentando conseguir mudanças no chamado backstop para evitar a volta de controles na fronteira entre a Irlanda do Norte e a Irlanda, membro da UE, para aplacar o receio de que o Reino Unido fique muito preso à órbita da União Europeia por tempo indeterminado ou que a província britânica seja dividida.

Na quarta-feira o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse que o bloco está esperando Londres apresentar propostas sólidas para romper o impasse depois de reuniões em Bruxelas e telefonemas entre May e líderes da UE.

Alguns parlamentares conservadores e muitos da oposição acusam May de "deixar o relógio correr", colocando o Reino Unido mais perto da data de desfiliação para tentar forçar o Parlamento a escolher entre apoiar seu acordo ou sair sem nenhum.

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